Os acidentes de trânsito em frente ao Centro de Educação Infantil (CEI) Esperança, em Londrina, são tão constantes que já provocaram mudanças na rotina das 138 crianças (com idades entre 2 e 5 anos) assistidas pela creche. O tempo que passam no pátio passou a ser mais controlado, e volta e meia é preciso levá-las às pressas para dentro das salas devido à ocorrência de mais uma colisão. ''Tem semana que acontece dois, três acidentes, e é difícil passar uma semana sem nenhuma colisão'', atesta Marisa Pasquini de Sousa Dias, coordenadora da entidade. O CEI é mantido pela Associação Feminina Evangélica desde 1958.
A creche fica na esquina das ruas General Tasso Fragoso e Foz do Iguaçu, no jardim Bancários (Zona Oeste). Ambas as ruas têm duplo sentido, o que permite a cada motorista três opções diferentes de caminho. A Rua Foz do Iguaçu, que atravessa a preferencial, tem um declive acentuado, e as faixas pintadas nas ruas estão bastante desgastadas. Em cerca de cinco minutos (em um horário de pouco movimento, por volta das 10 horas) a reportagem contou 25 carros passando pelo cruzamento, sendo que, destes, sete atravessaram a preferencial sem parar, e três veículos que vinham pela via principal foram obrigados a frear para não colidir.
''Quem é do bairro até sabe qual é a preferencial, mas quem vem de fora, não. Falta sinalização. Só um pouco de tinta aí já melhorava o problema'', afirma Maria Cristina de Souza, funcionária da creche. ''É preciso tomar uma providência. Outro dia meu amigo quase bateu aí em frente. Ninguém respeita as regras de trânsito, a gente fica com medo'', acrescenta Neuri Antônio Berte, pai de uma aluna da creche.
A coordenadora do CEI complementa que, em um acidente ocorrido em março de 2005, um carro chegou a subir a calçada e bater nas grades da escola. ''Retiramos as crianças do pátio correndo. Se tivesse alguém na grade ou calçada, nem sei o que teria acontecido'', revela, acrescentando que logo em seguida pediu ao município providências para dar mais segurança ao trânsito no local. ''Levei até um abaixo-assinado dos moradores, e, em dezembro de 2005, eles responderam com um projeto para a implementação de uma mini-rotatória. Mas até agora nada'', relata, com o documento da prefeitura em mãos.
Segundo o diretor de Trânsito do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), Hirak Ohara, o projeto ainda não foi encaminhado para a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) devido às péssimas condições do asfalto no local. ''É preciso que primeiro a Secretaria de Obras faça o recape, principalmente da Rua Tasso Fragoso'', explica. Segundo informações da diretoria de pavimentação da Secretaria de Obras, no momento não há recursos disponíveis para fazer o recapeamento de ruas, embora haja um levantamento das vias que necessitam do serviço.
Além da segurança, outra grande preocupação de pais e educadores é em relação aos problemas psicológicos que podem resultar da convivência constante com esse tipo de ocorrência. Meninos habituados a brincar de bater carrinhos já contam com entusiasmo as colisões que viram na vida real, sem ter idéia das consequências que isso pode lhes trazer para o futuro. ''O carro veio e bum! bateu no outro, amassou tudo! Daí veio a polícia'', contou uma criança de 5 anos. Questionado se não ficou assustado ou com medo, ele garantiu que não. ''Outro dia ouvi o barulho, daí eu subi na janela para ver'', revelou uma menina.
Muitas crianças, porém, reagem com choro e gritos. ''As crianças ficam assustadas, precisamos interromper as atividades, explicar o que está acontecendo, e isso atrapalha muito o rendimento'', afirma Marisa. Ela acredita que esses acidentes podem gerar inclusive problemas psicológicos para as crianças. ''Elas ficam com medo de sair na rua, de voltar à creche no dia seguinte, não conseguem dormir à noite'', relata, lembrando que a violência com que acontecem os acidentes, muitas vezes seguida de brigas entre motoristas, também pode resultar em agressividade nesses meninos e meninas.

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