Cruzamento perigoso tira sossego de creche
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sexta-feira, 18 de maio de 2007
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Os acidentes de trânsito em frente ao Centro de Educação Infantil (CEI) Esperança, em Londrina, são tão constantes que já provocaram mudanças na rotina das 138 crianças (com idades entre 2 e 5 anos) assistidas pela creche. O tempo que passam no pátio passou a ser mais controlado, e volta e meia é preciso levá-las às pressas para dentro das salas devido à ocorrência de mais uma colisão. ''Tem semana que acontece dois, três acidentes, e é difícil passar uma semana sem nenhuma colisão'', atesta Marisa Pasquini de Sousa Dias, coordenadora da entidade. O CEI é mantido pela Associação Feminina Evangélica desde 1958.
A creche fica na esquina das ruas General Tasso Fragoso e Foz do Iguaçu, no jardim Bancários (Zona Oeste). Ambas as ruas têm duplo sentido, o que permite a cada motorista três opções diferentes de caminho. A Rua Foz do Iguaçu, que atravessa a preferencial, tem um declive acentuado, e as faixas pintadas nas ruas estão bastante desgastadas. Em cerca de cinco minutos (em um horário de pouco movimento, por volta das 10 horas) a reportagem contou 25 carros passando pelo cruzamento, sendo que, destes, sete atravessaram a preferencial sem parar, e três veículos que vinham pela via principal foram obrigados a frear para não colidir.
''Quem é do bairro até sabe qual é a preferencial, mas quem vem de fora, não. Falta sinalização. Só um pouco de tinta aí já melhorava o problema'', afirma Maria Cristina de Souza, funcionária da creche. ''É preciso tomar uma providência. Outro dia meu amigo quase bateu aí em frente. Ninguém respeita as regras de trânsito, a gente fica com medo'', acrescenta Neuri Antônio Berte, pai de uma aluna da creche.
A coordenadora do CEI complementa que, em um acidente ocorrido em março de 2005, um carro chegou a subir a calçada e bater nas grades da escola. ''Retiramos as crianças do pátio correndo. Se tivesse alguém na grade ou calçada, nem sei o que teria acontecido'', revela, acrescentando que logo em seguida pediu ao município providências para dar mais segurança ao trânsito no local. ''Levei até um abaixo-assinado dos moradores, e, em dezembro de 2005, eles responderam com um projeto para a implementação de uma mini-rotatória. Mas até agora nada'', relata, com o documento da prefeitura em mãos.
Segundo o diretor de Trânsito do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), Hirak Ohara, o projeto ainda não foi encaminhado para a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) devido às péssimas condições do asfalto no local. ''É preciso que primeiro a Secretaria de Obras faça o recape, principalmente da Rua Tasso Fragoso'', explica. Segundo informações da diretoria de pavimentação da Secretaria de Obras, no momento não há recursos disponíveis para fazer o recapeamento de ruas, embora haja um levantamento das vias que necessitam do serviço.
Além da segurança, outra grande preocupação de pais e educadores é em relação aos problemas psicológicos que podem resultar da convivência constante com esse tipo de ocorrência. Meninos habituados a brincar de bater carrinhos já contam com entusiasmo as colisões que viram na vida real, sem ter idéia das consequências que isso pode lhes trazer para o futuro. ''O carro veio e bum! bateu no outro, amassou tudo! Daí veio a polícia'', contou uma criança de 5 anos. Questionado se não ficou assustado ou com medo, ele garantiu que não. ''Outro dia ouvi o barulho, daí eu subi na janela para ver'', revelou uma menina.
Muitas crianças, porém, reagem com choro e gritos. ''As crianças ficam assustadas, precisamos interromper as atividades, explicar o que está acontecendo, e isso atrapalha muito o rendimento'', afirma Marisa. Ela acredita que esses acidentes podem gerar inclusive problemas psicológicos para as crianças. ''Elas ficam com medo de sair na rua, de voltar à creche no dia seguinte, não conseguem dormir à noite'', relata, lembrando que a violência com que acontecem os acidentes, muitas vezes seguida de brigas entre motoristas, também pode resultar em agressividade nesses meninos e meninas.


