Foi ''o extremo do absurdo'', nas palavras do diretor de trânsito da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Álvaro Grotti, mas aconteceu. E pela segunda vez em menos de cinco meses. Apesar da existência de dois sinaleiros no cruzamento das ruas Mato Grosso e Goiás, no Centro de Londrina, dois carros colidiram no local anteontem à noite e um deles arrebentou a mureta e o vidro de uma panificadora localizada na esquina.
Segundo duas testemunhas informaram à Companhia de Trânsito (Ciatran), o motorista de um Fiat Palio que seguia pela Mato Grosso disse ''não ter visto'' o semáforo e avançado no sinal vermelho, batendo no Fiat Dobló que cruzava pela Goiás. O acidente ocorreu às 20h30. Uma passageira do Palio, de 25 anos, sofreu ferimentos leves e foi liberada pelos socorristas ainda no local.
Embora um acidente deste tipo pareça ter sido provocado por pura desatenção ou imprudência do motorista, cidadãos que conhecem bem os perigos do cruzamento exigem alguma providência da CMTU. A proprietária da padaria atingida, Patrícia Numada, disse que tentou instalar um ''guard rail'' (mureta de proteção) em volta do estabelecimento, mas foi proibida pela prefeitura. Sugeriu então a colocação de quebra-molas, mas estes também não são mais permitidos pela legislação.
''Alguma coisa tem que ser feita. A mureta derrubada ontem (anteontem) é muito usada pelos estudantes do Colégio Evaristo. Se o acidente tivesse ocorrido no horário de entrada ou saída dos alunos, um jovem podia ter morrido'', apelou. Em sete anos, segundo a comerciante, ocorreram cinco acidentes na mesma esquina. No último, em março, até o caixa da padaria foi destruído e uma motorista teve ferimentos médios. Em outro acidente, duas funcionárias da padaria foram seriamente machucadas. Patrícia já gastou R$ 7 mil consertando estragos.
Coincidentemente, anteontem a direção da Escola Estadual Evaristo da Veiga, também localizada no cruzamento, havia enviado à CMTU um ofício pedindo a instalação de sonorizadores na Goiás. ''Temos 350 alunos por turno aqui na escola que estão expostos a riscos. Os carros passam numa velocidade absurda, e acho que se houvesse algum obstáculo eles prestariam mais atenção'', afirmou a diretora Ariane Bortolotti Fiumari. A pedido da própria escola, já existe na Goiás um aparelho de video-vigia junto ao semáforo.
O diretor de trânsito da CMTU admitiu a gravidade do problema e disse que já está providenciando a instalação de um video-vigia também na Mato Grosso. ''Estamos notando que é o pessoal que vem pela Mato Grosso que está avançando o sinal, então um video-vigia pode inibi-los também. Além disso, o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) está fazendo um estudo para colocar mais um semáforo na Mato Grosso, no cruzamento com a Espírito Santo'', antecipou.

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