James Alberti
De Curitiba
A mulher do advogado Luiz Renato Cardoso Crovador, Vera Crovador, foi presa ontem acusada de mandar executar o marido. Outras quatro pessoas também foram presas, entre elas os dois jovens que mataram o advogado. Crovador foi assassinado anteontem, no banheiro de seu escritório, no bairro Centro Cívico, em Curitiba. Ele levou dois tiros, um na cabeça e outro no pescoço. O assassinato teria ocorrido para que Vera pudesse viver com o amante, conhecido por Mille, 32 anos, um garoto de programa. O dinheiro de seguros de vida de Crovador, que tinha 53 anos, também teria motivado o crime.
Segundo o delegado Clóvis Galvão Gomes, da Divisão de Investigação Criminal, o caso de Vera com Mille havia começado há oito meses. O garoto de programa seria o único dos envolvidos no crime ainda em liberdade. Ontem agentes do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) tentavam prender o michê. Por conta disso, o delegado operacional do Cope, Roberto Helsi, responsável pela investigação, não quis divulgar os nomes dos envolvidos.
O comando da Polícia Civil tentou também não vincular Vera ao homicídio. ‘‘Foi citado o nome dela pelos rapazes que estão aqui’’, limitava-se a dizer Clóvis Galvão. Mas a chegada ao Cope da delegada de União da Vitória, Fátima Crovador, irmã do advogado morto, acabou com possíveis dúvidas sobre a participação de Vera. Chorando, pouco antes de ser abraçada pelo delegado Fause Salmen, Fátima disse: ‘‘Eu quero que ela diga na minha cara que fez isso.’’
O superintendente do Cope, Altair Ferreira, também confirmou que Vera foi a mandante do crime. Ferreira disse que ela confessou ter pago R$ 15 mil para que o marido fosse morto. Ferreira e o delegado Helsi realizaram as prisões dos envolvidos. A apresentação dos acusados à imprensa deve ocorrer hoje.
Além de Vera, estavam presos ontem os dois homens acusados de matar o advogado, um outro garoto de programa, que morava com Mille e deu cobertura aos dois homicidas, e um comerciante que teria contratado os dois pistoleiros. Todos foram presos entre as 10 horas e 14h30 de ontem.
Segundo Ferreira, os dois pistoleiros foram presos quando chegavam na casa onde moram, em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba (RMC). O comerciante foi preso no bar de sua propriedade, também em Piraquara. E o garoto de programa, amigo de Mille, numa mansão do bairro Jardim Social. Segundo o superintendente do Cope, ele ‘namorava’ uma pessoa rica. ‘‘Outra possível vítima’’, afirmou Ferreira.
Com 53 anos, Crovador era conhecido por defender traficantes, assaltantes e policiais corruptos. Por essa razão, havia grande suspeita de que o motivo da execução fosse queima de arquivo ou vingança. Advogado polêmico, Crovador tinha trânsito livre nas delegacias. ‘‘Tem policiais envolvidos até o pescoço com esse advogado’’, afirmou ontem um delegado.
Há cerca de dez anos, um sócio de Crovador, Jamil Curi, foi preso com 40 quilos de cocaína, em Campo Largo (RMC). Apesar da sociedade, Crovador não foi envolvido com o episódio nem teve sua imagem abalada. Curi foi condenado e já cumpriu pena.Além de Vera Crovador, o Cope prendeu outras quatro pessoas. Polícia procura agora o amante da mulher, um garoto de programa
Kraw PenasCASAMENTO DESFEITOVera Crovador abraçada com o marido, o advogado Luiz Renato Cardoso Crovador. Crime para viver com amante

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