Pedro teve que subir 16 andares a pé e descobriu que estava sem chave.
Carla e seu namorado viram apenas cinco minutos do filme ‘‘A Vida é Bela’’ no cinema.
Raimundo achou a lanterna, mas não tinha pilha.
Mauro tinha pilha, mas não achou a lanterna.
Maria Amélia chorou ao queimar velas de decoração da sala de jantar.
Os filhos de Antônio e Sandra não paravam de chorar. ‘‘Eu tenho medo do bicho-papão, mãe’’, disse Daisy, a mais novinha. ‘‘Por que você apagou a luz pra ele?’’, insistiu.
Sílvia ficou presa no elevador, suou frio e rezou 23 vezes o Pai-Nosso, a Ave-Maria e o Glória ao Pai. Até descobrir que existe um botão de emergência.
Ronaldo plantou bananeira para se distrair, desequilibrou-se e quebrou um vaso de estimação.
Rafael aproveitou para não fazer a lição de casa.
Na roda de amigos e amigas, houve mão-boba para constrangimento geral. Ouviu-se, em seguida, estalo de bofetão. Ninguém identificou os protagonistas da baixaria.
O guardinha Tenório tocou seu apito com mais força.
Rogério estava dormindo e sonhou que era dia.
Marco ficou meditando no banheiro.
Sérgio sentiu-se melancólico e resolveu telefonar para uma antiga namorada. Telefone ocupado. Favor ligar daqui a alguns minutos.
Tião saiu para comprar tubaína. Bateu uma vontade inexplicável.
Cássia, sentada por sete horas diante do computador, perdeu dez páginas da sua monografia e soluçou de raiva.
‘‘Eu quero ver a Chiquinha Gonzaga!’’, gritou Lúcio pela janela.
Geraldo tomou banho frio.
Por um momento, Cris viveu pânico no pronto-socorro.
César, a 21 quarteirões de casa, parou no meio do breu. Não via nada; temeu tropeço e ladrão; ficou tremendo e esperando a vista se acostumar um pouco.
A partida foi encerrada aos 34 minutos do segundo tempo. O resultado era de 3 x 0 para os solteiros, gols de Tião Macalé, Barriga e Cascatinha. O volante dos casados, Mocorongo, queria continuar mesmo sem iluminação.
Armando voltou-se para a esposa: ‘‘Qual é mesmo o número da Copel?’’
Manoel colocou seu boné de pescaria, equipado de lanterna, e ficou parecendo um mineiro da Bolívia.
Getúlio criticou o governo: ‘‘O cachorro nem pode molhar o poste, que já acaba a luz!’’.
Stela pediu divórcio.
Arnaldo fez uma fogueira e quase botou fogo na casa.
O pessoal no bar aproveitou para cantar ‘‘Parabêinx a vox꒒.
Glória pensou nas coisas da vida - especialmente na conta de água atrasada.
Helena nem notou o blecaute. O lampião continuou aceso. As crianças comeram todo o sal.
Sílvio resolveu interpretar ‘‘Sentimental Eu Sou’’ no posto de gasolina. Usou a bomba como microfone. Praticamente um Altemar Dutra.
Mário e Josefa tentaram lembrar como eram as coisas antes da televisão. E conseguiram.
Renato decidiu ligar para o CVV.
Os usuários do fone 145 finalmente encontraram assunto.

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