As tardes de segunda e quinta-feira não são mais as mesmas para as mulheres do jardim União da Vitória (zona sul de Londrina). Desde abril deste ano, elas vêm se reunindo no salão de espera da Unidade Básica de Saúde (UBS) Orlando Cestari, das 14 às 17 horas, para produzir peças de crochê, sob a batuta da agente comunitária Cirene Cândido.
Depois de montarem uma roda com as cadeiras, elas trocam idéias, seguindo moldes de revistas. Algumas estão grávidas e preparam o enxoval do bebê, outras levam seus filhos pequenos. ''Esta é uma forma de terapia ocupacional, que ajuda a evitar a depressão. A maioria dessas mulheres está desempregada e passa muito tempo em casa, sem fazer nada. Com o projeto, elas podem aprender algo novo, se divertir e ajudar na renda familiar ao mesmo tempo'', explica Cirene, uma das idealizadoras do projeto, junto com a enfermeira Marilu Lucia Simomeli.
Por ser um grupo de pessoas com baixa renda, a idéia inicial era conseguir patrocínio para a compra do material necessário, como linhas, agulhas e panos de prato. ''Fizemos pedido de doação de material mas não fomos atendidas. Por isso, incentivamos as garotas a trazerem materiais de casa. Com isso, elas acabam produzindo peças para o próprio consumo'', diz Cirene. Segundo a enfermeira Marilu, é proibida a venda das peças dentro do posto de saúde: ''Queremos encontrar um meio de promover este trabalho, talvez com uma feira'', analisa.
Hoje, o grupo conta com 10 a 12 mulheres por encontro, mas a lista de espera já chega a 101 pessoas: ''As próprias participantes chamam novas pessoas. Além disso, pacientes que vêem as mulheres se divertindo querem entrar no grupo. A nossa única regra é eliminar alguém que teve três faltas, sem justificativa'', comenta Marilu.
E não há limites de idade para aprender. Maria Gomes da Silva, que recebeu do grupo o apelido de Anita, tem 71 anos e nunca tinha feito crochê na vida. ''Cheguei aqui no posto, dei meu nome e comecei a frequentar. Faltei apenas uma vez e naquele dia elas foram me buscar em casa, e de carro'', conta a senhora, que já produziu um tapete e está quase terminando sua segunda peça.
Mariane Silva da Costa tem apenas oito anos e já está aprendendo seus primeiros pontos: ''Quero fazer um tapete'', diz a tímida garota, que vêm ao posto de saúde com sua vizinha, Débora.
Quem ensina as mulheres é a própria Cirene, que fez do crochê sua forma de renda quando estava desempregada: ''Minha primeira peça foi um vestido para a minha filha'', conta. Cirene também é moradora do bairro e com isso difunde ainda mais os objetivos do grupo para suas vizinhas. ''Me sinto extremamente satisfeita sendo útil para a comunidade. Na minha opinião, o posto de saúde não deve ser um lugar onde as pessoas somente passam por consultas, mas um lugar que proporcione alívio ao coração. Este projeto é um remédio para o coração'', orgulha-se.

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