A delegacia do Conselho Regional de Medicina (CRM) de Londrina deve solicitar hoje à Santa Casa de Londrina o prontuário médico da técnica de laboratório Maria Romildes Ribeiro, 46 anos, que morreu na anteontem após complicações resultantes de uma cirurgia de redução de estômago. Antes de morrer, ela permaneceu um mês na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
O CRM vai investigar se houve neglicência médica no caso e se a realização da cirurgia respondeu aos critérios técnicos e éticos exigidos. A paciente tinha 94 quilos e sua família era contra a realização da cirurgia por considerar que Maria Romildes não tinha peso excessivo para correr os riscos operatórios.
O conselheiro do CRM, o médico José Luiz de Oliveira Camargo, explicou que o estudo do prontuário é o primeiro passo para abertura de uma sindicância. O procedimento foi tomado sem a denúncia formal da família ao órgão. ''Como houve óbito e o caso foi noticiado, isso é considerado como denúncia'', apontou.
A cirurgia de redução do estômago é um recurso radical de emagrecimento que deveria, em tese, ser adotado apenas por pessoas com obesidade mórbida. Considera-se um obeso mórbido, quem está 45 quilos ou mais acima do seu peso ideal e sofre de doenças e males relacionados ao excesso de peso, segundo dados da Sociedade Brasileira de Hipertensão. Segundo a família, não tinha problemas de saúde.
Contudo, segundo Camargo, o CRM não considera falha ética submeter pacientes fora do índice de obesidade mórbida a cirurgia. ''Essa cirurgia é considerada ética dentro de alguns critérios, como o índice de massa corporal (IMC), peso, estatura e condições gerais do paciente'', disse. Isso também vai ser averiguado.
A família de Maria Romildes recebeu a notícia com alívio. ''Só queremos saber o que aconteceu'', afirmou a filha Inayara Marcondes. Anteontem, as filhas chegaram a registrar queixa contra a Santa Casa pela demora na liberação do corpo. E solicitaram a realização de uma necrópsia. O corpo foi enviado ao Instituto Médico-Legal (IML) mas o procedimento não foi realizado. A justificativa é que o IML não faz necrópsias patológicas, conforme o caso pedia. O chefe do órgão, Gabriel Fernandes Neto, não retornou as ligações da Folha para comentar o assunto.
A cirurgia de redução de estômago chegou ao País há mais de 10 anos. Sua eficiência como método de emagrecimento está na redução da capacidade de ingestão e absorção dos alimentos. Na técnica mais utilizada no Brasil que reduz o estômago de 1,5 litros para 20 ml uma pequena parte do órgão é separada, grampeada e religada ao intestino por um anel que reduz ainda mais a absorção dos alimentos.

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