CRM vai investigar morte de menina
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sexta-feira, 24 de junho de 2005
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
O Conselho Regional de Medicina (CRM) vai abrir uma sindicância para apurar as circunstâncias da morte de Camila Sabbadine, 8 anos, falecida na Santa Casa de Cambé na última terça-feira, logo após ter recebido alta do hospital. A decisão foi tomada depois da publicação de reportagens sobre o caso na Folha.
De acordo com o diretor regional do CRM em Londrina, Marcos Campos, como o assunto foi divulgado na mídia, o órgão entende que houve denúncia extra-oficial, embora formal. O prazo para conclusão dos trabalhos é de 60 dias. ''Nossa função é investigar minuciosamente a prática médica, para saber se houve falha ou se foi uma fatalidade'', justificou.
A notícia não abalou a direção da Santa Casa. ''Achamos bastante louvável e vamos esperar tranquilamente o resultado'', afirmou o pediatra José Walter Dias, diretor técnico da instituição. Ele encarou a sindicância como uma rotina do CRM que precisa ser cumprida.
Camila deu entrada no hospital na segunda-feira passada para tratar dores lombares. Ela foi medicada, examinada pela equipe do hospital e liberada cerca de 18 horas depois. Momentos antes de ir embora, passou mal, tendo apresentado sinais de asfixia e parada cardio-respiratória, que a levaram à morte.
Durante o período de internamento, Camila recebeu duas injeções do antiinflamatório Voltaren. A primeira dose foi aplicada ainda na segunda-feira. A segunda aplicação foi feita na terça, duas horas antes da alta.
Segundo a farmacêutica Emília Vitória da Silva, do Centro Brasileiro de Informações Sobre Medicamentos (que integra o Conselho Federal de Farmácia), o fabricante do Voltaren contra-indica - na bula do produto - o uso do remédio injetável em crianças. A medicação, composta por diclofenaco de sódio, oferece risco de causar necrose muscular no local da aplicação. O problema é chamado de ''Síndrome de Nicolau'' e pode ocorrer também em pacientes adultos.
Ela explicou que qualquer medicamento injetável tem mais chances de provocar choque anafilático (hipersensibilidade ao produto), pois a absorção é mais rápida. A reação nem sempre acontece após o primeiro contato com a substância. Conforme Emília, a primeira dose de um medicamento pode apenas criar anticorpos no organismo. No segundo contato com o produto, a reação dos anticorpos com o antígeno é capaz de gerar o choque. Quando a injeção é intra-muscular, a resposta pode não ser imediata porque o medicamento leva algum tempo para ser absorvido pelo sangue.
Walter Dias informou que o Voltaren foi aplicado em Camila porque ela pesava em torno de 40 quilos. ''Passou de 30 quilos, o comportamento é o mesmo de adultos'', justificou. Ele disse que o medicamento não é utilizado rotineiramente em crianças. ''Só aplicamos quando a dor é muito forte. A paciente chegou carregada pelo pai ao hospital por causa da dor'', lembrou.


