O presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM) do Paraná, Gerson Zafalon Martins, reconhece o problema da má distribuição de profissionais. Para ele, é preciso fazer um plano de ''interiorização'' de médicos. ''Temos que mandar gente para o interior'', destacou.
''O profissional, principalmente o recém-formado, precisa ir para as cidades pequenas com garantias, pois ele vai precisar de reciclagem, de especialização, de residência médica. O ideal é que ele tenha carteira assinada e contrato de pelo menos dois anos. Se houver bom salário e garantias profissionais, o médico vai'', afirma Martins.
''Contudo, há oito anos, fizemos essa proposta e ouvimos dos políticos que não seria possível porque em dois anos o médico fica muito importante na cidade e pode se tornar um político influente'', comentou Martins. Questionado sobre qual valor seria justo para um médico trabalhar em uma pequena cidade, ele opinou que, para 20 horas de trabalho semanal, seria R$ 12 mil por mês.
Na opinião do secretário de Saúde do Paraná, Gilberto Martin, além da questão salarial, os médicos procuram se concentrar nas cidades maiores devido à estrutura de ensino, cultura, lazer e serviços.
''Para conseguir um lugar em um mercado de trabalho como o de Curitiba, o médico recém-formado parte para uma especialização. O ideal é que tivéssemos mais clínicos gerais, pediatras e ginecologistas, fortalecendo o atendimento básico, que é a porta de entrada de um paciente no Sistema Único de Saúde (SUS). Infelizmente, há profissionais de atendimento básico que estão em extinção, como o pediatra. Sobram vagas nas residências de pediatria. Isso nos preocupa'', lamentou Martin.
Segundo ele, a iniciativa de programas que atraiam os médicos para o interior deve ser do Governo Federal. ''Fazemos a nossa parte com a implementação de programas, por exemplo, reforçando financeiramente o Saúde da família'', completou. (W.S.)

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