Curitiba - A cada dia o Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) recebe pelo menos uma denúncia ou reclamação contra médicos. A média foi registrada do ano de 2000 até o último dia 24, período em que foram instauradas 1.304 sindicâncias. Muitas delas ainda estão em andamento, mas as apurações já concluídas resultaram em 259 processos ético-profissionais.
O conselheiro federal de Medicina e também membro do CRM-PR, Gerson Zafalon Martins, afirma que o número elevado de denúncias não espelha um aumento da negligência médica. Para ele, a sociedade está mais exigente e tem maior abertura para reclamar. Martins preferiu não comentar que tipo de denúncia é mais frequente, mas garantiu que a ''falha de comunicação'' entre médico e paciente é a grande responsável pelo elevado número de reclamações.
Martins acredita que o bom relacionamento do profissional com o paciente e seus familiares faria reduzir a 10% o total de denúcias. ''Não significa dizer que uma boa conversa cubra o erro'', acrescentou.
Foi justamente a relação médico-paciente o principal tema discutido por médicos e estudantes de medicina ontem à noite, em Ponta Grossa, na 12 Jornada de Bioética do Conselho Regional de Medicina do Paraná. As jornadas, segundo o conselheiro Gerson Zafalon Martins, realizadas em todas as cidades paranaenses onde existem delegacias regionais do CRM, buscam discutir questões ligadas à ética profissional. Os próximos encontros serão em Maringá, no mês de abril, e em Londrina, em maio.
Os debates giram em torno, também, das condições de trabalho nas cidades para que o conselho possa cobrar soluções para eventuais problemas junto aos gestores municipais. A falta de estrutura, observou Martins, está diretamente ligada à ética profissional, pois pode comprometer a atuação do médico. No caso de Ponta Grossa, um dos principais problemas, segundo ele, é a falta de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) de Neonatologia para atendimento a recém-nascidos de risco.

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