CRM investiga denúncia de erro médico
PUBLICAÇÃO
sábado, 26 de outubro de 2002
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
O presidente da Delegacia Regional de Londrina do Conselho Regional de Medicina (CRM), o ginecologista José Luís de Oliveira Camargo, informou na sexta-feira a provável abertura de sindicância para apurar suspeita de erro médico no atendimento ao servidor público José Carlos Fortunato. Há sete meses, Fortunato foi submetido a uma cirurgia no ouvido no Hospital Universitário (HU) e, depois de 28 dias em coma, saiu do hospital inválido. Há mais de um mês, a família dele oficializou denúncia na Promotoria de Direitos Constitucionais, que também apura o caso.
Em conclusão parcial da Comissão de Ética do HU, encaminhada para Camargo e para a Promotoria, foram apontados ''indícios de infração ética''. Na última quarta-feira, amigos e familiares de Fortunato solicitaram à direção do hospital mais informações sobre o caso. Depois de duas horas de espera, foram atendidos pelo superintendente do HU, o médico Francisco Eugênio Alves de Souza, que chegou a chamar a Polícia Militar para conter as pessoas. Souza não soube prestar novos esclarecimentos.
''O caso é bastante grave e deve ter a abertura de sindicância autorizada pela diretoria do CRM de Curitiba. No documento da Comissão de Ética, havia apenas resumos que não forneciam a mínima condição de análise. Solicitei à diretoria do HU, na última terça-feira, por aerograma registrado (AR), todos os documentos de internação do Fortunato antes de encaminhar o processo para Curitiba'', explicou Camargo.
Segundo o médico, assim que receber os documentos, deverá enviá-los a Curitiba no mesmo dia. A instauração da sindicância pode ser decidida no prazo de três dias. O tempo de conclusão da sindicância é variado, mas em casos mais graves demora em média 90 dias, complementou Camargo.
Questionado sobre o procedimento tomado pelo hospital na quarta-feira, Camargo afirmou que foi uma demonstração de ''inexperiência'', já que a atual diretoria assumiu recentemente. ''Não acredito que haja a intenção de sonegar informações. Nós somos os principais interessados em esclarecer o que aconteceu'', ressaltou.
Ele disse não saber se algum médico londrinense já teve o registro profissional cassado, mas destacou que, apenas nos últimos dez dias, oito denúncias de erros médicos, de Londrina e região, foram encaminhadas ao CRM em Curitiba.
Na sexta-feira à noite, o diretor do HU, Sinésio Moreira Júnior, garantiu que recebeu a solicitação de Camargo e que a sua secretária já teria enviado os documentos requeridos. A estimativa é que sejam recebidos por Camargo na segunda-feira.


