A regional de Maringá do Conselho Regional de Medicina (CRM) concluiu que não houve infração ética no atendimento à estudante Flávia Aparecida Schiavon da Silva pela rede pública de Saúde. Ela morreu por traumatismo craniano, em 12 de maio, depois de aguardar atendimento médico durante 12 horas em duas unidades de saúde da cidade.
A direção do Hospital Universitário de Maringá atribui a morte de Flávia à pouca oferta de leitos de terapia intensiva nos hospitais particulares da cidade conveniados ao SUS. De janeiro até agora, dez pacientes do SUS morreram enquanto aguardavam leitos de terapia intensiva.
Os oito médicos do conselho, que analisaram os prontuários de atendimento em Maringá, alegam que não houve falta de ética profissional. O conselho estadual também está acompanhando o caso e deve divulgar um parecer ainda este mês, segundo informou ontem o presidente da regional do CRM, Kemel Jorge Chammas.
O relatório dos médicos confirma o parecer divulgado pelo delegado-adjunto Luis Norberto Canhoto, que concluiu as investigações no dia 12 de junho passado. Segundo as investigações levantadas por Canhoto, não houve omissão de socorro no atendimento que ela recebeu na rede pública.
A estudante Flávia Schiavon, 13 anos, sofreu um acidente na escola Dirce de Aguiar Maia, onde estudava. Durante uma aula de Educação Física, ela estava com uma caneta na boca e foi atingida por uma bola. A caneta perfurou o palato de Flávia, que foi levada por professoras até o Posto de Saúde do Mandacaru, o mais próximo da escola.
Do posto ela foi transferida para o Pronto Atendimento da Zona Sul, onde ficou cerca de nove horas, sendo levada por volta das 17 horas para o Núcleo Integrado 24 horas no Jardim Alvorada, onde morreu. O caso ganhou repercussão, e levou a polícia e o CRM a investigar se houve omissão de socorro. A Secretaria de Saúde do município alega que Flávia aguardava vaga em UTI, que não existia disponível no dia do acidente.

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