Membro do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) e da diretoria da Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Paraná (Sogipa), o médico José Luiz Camargo explicou que a retenção de restos placentários é considerada uma complicação do parto. Mas observou: ''quando aumenta a incidência é necessário que se faça uma investigação técnica interna pela própria instituição para se rever os procedimentos adotados''.
O ginecologista adiantou que como são vários casos, o CRM poderá abrir uma sindicância para apurar a conduta dos profissionais envolvidos nos partos. Até ontem, o médico havia tomado ciência de apenas um caso através da imprensa.
Camargo destacou que no pós-parto a mãe tem de permanecer internada pelo período de 48 horas, justamente para que se possa acompanhar de perto sua evolução e, em caso de complicação, prestar rapidamente o atendimento necessário. ''Alguns casos podem evoluir para infecções graves e têm que ter atendimento na hora certa porque senão o problema pode colocar a vida da paciente em risco'', completou. Segundo o médico, a ausência de pré-natal ''tem muito pouco a ver'' com problemas como os relatados na reportagem.
O diretor de Planejamento e Gestão em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde, Paulo Gutierrez, afirmou no final da tarde que tinha conhecimento apenas do caso envolvendo a paciente Andréia Neri. ''Com relação a esse caso está sendo instaurada uma sindicância para investigar o que aconteceu'', garantiu. ''Se realmente forem procedentes (esses problemas), isso deixa a gente preocupado em saber o que estaria ocorrendo para levar à esse tipo de coisa'', completou Gutierrez. Por mês, a instituição realiza em média 320 partos. O diretor orientou os pacientes que se sentirem prejudicados a procurar a própria direção da Maternidade ou a Ouvidoria do Município. Outras vias seriam a Promotoria de Defesa da Saúde Pública, o CRM e a Polícia Civil.(L.A.)

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