CRM denuncia prática ilegal de medicina
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 06 de julho de 2005
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba A Polícia Civil investiga a denúncia de que um homem trabalhou como médico nos últimos dois anos em postos de saúde de Campo Largo e no Hospital de Balsa Nova, na Região Metropolitana de Curitiba, sem ter o diploma da profissão. A denúncia foi feita pelo Conselho Regional de Medicina (CRM-PR) durante investigação de mau atendimento, encaminhada pela Secretaria de Saúde de Campo Largo. O caso se tornou público anteontem.
A Polícia Civil de Campo Largo abriu inquérito para apurar o caso. Em depoimento prestado anteontem, Cláudio Augusto Carnieri apresentou diploma de fisioterapia de uma universidade de Curitiba. Ele confessou à polícia que forjou o diploma de medicina, tomando como base seu diploma verdadeiro. Acusado de falsificação de documentos, falsidade ideológica, exercício ilegal de profissão, Carnieri vai responder ao processo em liberdade.
Segundo a polícia, Carnieri usava o nome de um médico que trabalha em Ponta Grossa. Carnieri foi admitido pela Prefeitura de Campo Largo em 2003 como clínico geral e, posteriormente, passou a trabalhar como terceirizado.
O secretário de Saúde de Campo Largo, Sérgio Evers, conta que Carnieri não cumpria horários, marcava no cartão ponto até 17 plantões por mês, o que lhe rendia salário de até R$ 12 mil, contra R$ 4 a R$ 5 mil pagos a outros médicos. Dispensado da prefeitura, ele começou a trabalhar no município vizinho de Balsa Nova.
Durante dois anos, Carnieri trabalhou em três postos de sa© úde e no Centro Médico 24 horas de Campo Largo. Nessa época, segundo o secretário, começaram a surgir denúncias de pacientes contra ele. A gota d'água foi a reclamação da mãe de uma menina de 11 anos, que caiu sobre um caco de vidro, cortou o cotovelo e não conseguia esticar o braço. No pronto-socorro, o falso médico não percebeu o vidro. A garota passou três meses de dor e inflamação do cotovelo, até que raspou o braço e o caco de vidro saiu.
Todas as denúncias foram encaminhadas ao CRM. As correspondências do Conselho, no entanto, iam sempre para o endereço do médico verdadeiro, em Ponta Grossa. Foi assim que o caso veio à tona.


