Críticas e dúvidas são debatidas em reuniões à noite
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 09 de maio de 1997
Da Redação 
O sistema de educação adotado por Hugo Gonçalves não mudou desde a criação do lar Marília Barbosa, há 44 anos, em Cambé. Apesar de a entidade ser mantida por um centro espírita, no dia-a-dia das crianças não há direcionamento para nenhuma religião específica. A importância do estudo, da dignidade, a transmissão dos conceitos de moral é feita pelo próprio Hugo Gonçalves, sempre atento a cada uma de suas pupilas.
Gonçalves convive 24 horas por dia com suas crianças. Duas vezes por semana, depois do jantar, ele se reúne com todos os pequenos para ouvir e falar sobre todo assunto que interesse a eles: namoro, críticas e dúvidas. Ele diz que nesses momentos se sente aluno e professor. A única norma definida é que todos precisam ajudar a manter o lar limpo e em ordem. A instituição conta apenas com uma cozinheira e uma lavadeira, o resto do trabalho é dividido entre as meninas maiores. As demais fazem o que é possível de acordo com a sua idade.
Os recursos que mantêm a instituição são obtidos com a venda de livros espíritas, da renda de uma gráfica do centro espírita e de doações. E, ao contrário da maioria das instituições que recebem menores, Gonçalves garante que o lar Marília Barbosa sempre foi privilegiado. Ele comenta: Aqui no lar nós nunca tivemos sobras, mas também nunca sofremos falta. Quando parece que o açúcar vai faltar, vem alguém com alguns sacos para doar. Pr 2isso eu sempre digo que esta obra não é minha: é dEle lá em cima.
O centro espírita Alan Kardec foi fundado por Luiz Piccinin, e mantém ainda um consultório médico e dentário, com atendimento gratuito. Uma creche para 40 crianças atende mães carentes que trabalham fora e não têm onde deixar seus filhos. No lar Marilia Barbosa moram hoje 23 crianças.
O relacionamento entre as pupilas, Hugo e sua esposa, Dulce Gonçalves, é tão definitivo que ele lembra praticamente todos os nomes das meninas que moraram no lar. Sabe onde estão e o que fazem. Você vê, elas estão à vontade, sentem-se em casa. Essa constatação me dá alegria, diz, apontando para as meninas.
O sonho de Hugo Gonçalves? Ver todas as crianças que recebe crescerem, tornando-se adultos saudáveis com perspectivas de um futuro feliz.
(Célia Baroni)


