Critérios de seleção para quem está na fila
Um mito sobrevive tanto nos corredores dos Prontos Socorros (PS) superlotados, em que pacientes esperam por leitos de alta complexidade, como entre familiares e, inclusive alguns médicos, de que as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) conseguem realizar o milagre da ressurreição.
''O que determinaria a morte de um paciente não é o tempo de espera por UTI, porém como o paciente está sendo conduzido. Algumas pessoas aparecem no HU com apenas uma infecção urinária; se não for cuidada, ela pode virar uma infecção generalizada. Depois disso, fica difícil reverter o caso. Numa pneumonia simples, se a gente fizer o tratamento correto, com antibióticos, corre menos risco de evoluir para uma insuficiência respiratória'', explica o superintendente do HU, Francisco Eugênio Alves de Souza.
Ele concorda com o superintendente da Iscal, Fahd Haddad, que existem pacientes que estão fora da capacidade de recuperação terapêutica. Esses são os que têm que ir para a UTI.
Haddad lembra ainda os pacientes terminais, que podem receber assistência médica e psicológica em casa, até a hora da morte. ''Existem países em que já há critérios de seleção de pacientes para UTIs'', exemplifica. Ele lembra que não existem placas sobre os leitos, assinalando em qual devem se deitar os pacientes do SUS. Haddad garante que sempre que há necessidade, essas pessoas são internadas, independende do número de vagas credenciadas no sistema público. ''Aqui a gente atende''.
Para o superintendente do HU, alguns hospitais de pequeno porte têm dificuldade em receber pacientes graves por falta de equipamento e pessoal. ''Já hospitais como o nosso encontram dificuldade de transferir pacientes graves, principalmente porque a responsabilidade é de quem transfere, tendo que avaliar muito bem as condições clínicas. Podemos dizer que a maioria das pessoas que chegam ao HU, esperando por UTI, sobrevivem, independente de ter ido ou não para a unidade. Tenho dados de que a grande maioria melhora, enquanto recebe tratamento no PS'', aponta, acrescentando que a internação em leito de alta complexidade é determinada pela necessidade de cuidados profissionais e de equipamentos, casos de cirurgias de grande porte, como transplantes, insuficiências respiratórias e hemodinâmicas ou até no caso de uma úlcera com possibilidades de sangrar.
''Hoje, nossos leitos de UTI estão ocupados por urgências e emergências. Enquanto isso, há pessoas esperando para fazer cirurgias de alto risco que não podem ser operadas porque precisam da garantia de uma vaga'', afirma Souza. ''Essa fila é grande. São milhares de pessoas''.(F.L.)





