Critério de escolares pode mudar
Quem faz transporte escolar em Londrina quer trafegar com número maior de crianças. A Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) solicitou ao Conselho Nacional de Trânsito (Contran) parecer sobre a possibilidade de que veículos que trabalham no transporte escolar em Londrina operem com número de passageiros maior do que o definido pelos fabricantes. Enquanto aguarda a resposta, até um prazo máximo de dois meses, os condutores desses veículos, com selo de vistoria da Comurb, vão continuar atendendo com a capacidade acima da permitida por lei, como já faziam antes do novo Código de Trânsito.
A solicitação partiu dos próprios condutores que trabalham na Cidade. Eles estiveram reunidos ontem pela manhã no estacionamento do Zerão. Eles argumentam que a capacidade do veículo é definida pelo peso médio de um adulto, que é o dobro do peso médio de uma criança. Se o Contran der parecer favorável, eles vão adaptar um número maior de cintos de segurança, conforme a nova capacidade.
Álvaro Antônio Doroso, que trabalha no transporte escolar há quatro anos, aponta ainda que o pedido também foi motivado pelas novas determinações do Contran, que permitiu que uma criança menor de 10 anos seja transportada no banco dianteiro de um automóvel de passeio quando o número de crianças no veículo for maior que três. Alguns modelos de caminhonetes com cabine simples também poderão ter crianças no banco dianteiro.
Segundo a avaliação dos condutores, uma perua Kombi, por exemplo, que tem capacidade para nove pessoas, poderia transportar até 14 crianças com menos de 10 anos. No caso da Besta, a capacidade poderia pular de 12 para 20 crianças e a Topic, de 16 para 26. Nós não temos competência para decidir e por isso solicitamos o parecer do Contran. Mas me parece razoável o questionamento dos condutores, afirma a diretora operacional da Comurb, Lúcia Brandão.
Se a resposta do Contran for negativa, será decretada a falência do transporte escolar em Londrina, garante Álvaro Doroso. Ele argumenta que os custos para manter o serviço são altos e a diminuição do número de crianças nos veículos o tornaria insustentável. Como exemplo, o condutor abserva que o imposto obrigatório de um microônibus tem o mesmo valor de um ônibus grande, para 40 passageiros ou mais - sem contar o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e o Imposto Sobre Serviços (ISS). E mais: quando as crianças transportadas têm menos que 10 anos, é obrigatória a presença de um monitor no veículo, além do motorista.
Os condutores também reclamaram com a Comurb sobre a obrigatoriedade da instalação dos tacógrafos - instrumento que registra a velocidade dos veículos - até o final do mês. O problema, segundo ele, é que o aparelho, além de caro - cerca de R$ 800,00 -, está em falta no mercado. Lúcia Brandão informou que o prazo para instalação do aparelho foi esticado para até dois meses, ou seja, assim como no caso da capacidade dos veículos. A diretora operacional da Comurb afirmou também que a companhia vai fazer contato com alguns fabricantes, e avaliar a possibilidade de entregar o produto com preços reduzidos.





