Ibiporã - A nova diretoria do Hospital Cristo Rei, em Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina), assumiu no final de 2018. Desde então, tem trabalhado na confecção de um plano de recuperação financeira, que precisa ser apresentado para a Sesa (Secretaria de Estado da Saúde) em 60 dias. Atrelado ao documento está a montagem de uma equipe adequada, como forma de oferecer mais credibilidade as ações da entidade de saúde.

"Trouxemos uma (equipe de) auditoria externa, assim como um programa de compliance e integridade, que é uma ferramenta para proteger de fraudes e desvios de verba. Isto dará mais respaldo com o MP (Ministério Público), município e Estado. Um novo site deverá entrar no ar em dois meses. Na página vão ser prestadas as contas", detalhou Ralph Barbosa Souza Gonçalves, interventor judicial do Cristo Rei.

O hospital está em intervenção desde 2014, quando a diretoria da época foi afastada acusada de desvios de recursos. A instituição apresenta todo mês deficit de 270 mil. Entretanto, com o fim de um valor extra que era vinculado ao POA (Plano Operativo Assistencial), a carência vai aumentar para R$ 320 mil a partir deste ano mensalmente. O montante do POA, que era de R$ 302 mil, vai cair para R$ 250 mil.

Além do plano operativo, Mãe Paranaense (R$ 17 mil) e Hospsus (R$ 77 mil), o hospital ainda conta com recursos oriundos do município (R$ 251 mil) e de subvenção (R$ 150 mil), que é pelo Estado. "Para receber o POA por completo temos metas assistenciais, hospitalares, exames e de internamento a serem realizadas. É uma receita que, na verdade, não é, porque se não produz, não tem, mas para produzir precisaria dispor do valor antecipado", indicou Anderson Mendes, diretor de enfermagem.


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O maior gargalo da instituição está na folha de pagamento, que vem sendo paga apenas o líquido para os funcionários, o que dá em torno de R$ 267 mil. "Se fosse para pagar tudo, a folha bruta, daria R$ 500 mil. Não temos recursos suficientes para cobrir FGTS, INSS, plano odontológico e seguro de vida. A despesa não consegue acompanhar a receita", constatou a diretora-geral do hospital, Adriana Teófilo.

O Cristo Rei, que é hospital secundário, atende, em média, 2.700 pacientes por mês somente no pronto-socorro. São moradores de Ibiporã, Jataizinho, Alvorada do Sul, Primeiro de Maio, Assaí e Sertanópolis. Cerca de 93% da assistência é pelo SUS.

A diretoria descartou risco de interrupção no atendimento neste momento. Pamela Vaz Zemuner, assessora jurídica, expôs que esta possibilidade só existe caso o dinheiro do hospital seja bloqueado. "A todo momento temos pedidos de bloqueio. Isto é monitorado diariamente."

A projeção é equilibrar financeiramente o hospital Cristo Rei em até dois anos. "O próprio plano vai detalhar todas as dívidas, que não temos número fechado, e a parte da auditoria vai nos ajudar a ter tranquilidade para chegar no Estado para apresentar metas e solicitar novos recursos", programou o interventor. Vereadores do município e parlamentares estaduais têm colaborado neste processo. O hospital precisa de doações de alimentos, copos descartáveis, fraldas geriátricas, papel higiênico e sulfite tamanho A4. Quem quiser colaborar pode ligar para (43) 3178-2300

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