Cristian Moretto sempre foi um rapaz alegre e decidido. Prestou vestibular de 96 para Medicina, na Universidade Estadual de Londrina (UEL) mas, como não conseguiu passar, começou um curso de auxiliar de enfermagem na Santa Casa. Sua mãe, a funcionária pública Nadir Medeiros Pereira, 36 anos, conta que ele gostava de sair com os amigos. ‘‘ Sempre foi um excelente rapaz. Não consigo nem pensar em como ele era antes.’’
O crime aconteceu na noite de 12 de julho do ano passado. Cristian e um grupo de amigos tinham ido à lanchonete Carol, na rua Catarina de Bóris, vila Siam (zona leste). Segundo contou Cristian à mãe, antes de entrar em coma, quando o grupo chegou foi cumprimentando várias pessoas, entre elas uma moça que estava na companhia dos irmãos Joel e Rubens Mendes de Queiroz.
Ainda de acordo com a versão de Cristian, a moça parecia conhecer muita gente entre os que frequentavam a lanchonete. Ela teria sido cumprimentada por várias outras pessoas e os irmãos teriam reagido atirando. Testemunhas do tiroteio afirmaram à polícia que Joel e Rubens portavam uma arma cada e atiraram em todas as direções. Dentro da lanchonete, os tiros atingiram, além de Cristian, Charles Roger da Silva, de 26 anos, e Edenildo Rodrigues da Silva, de 22 anos.
Mesmo depois que saíram da lanchonete, o microempresário da construção civil Rubens Queiroz, de 34 anos, e seu irmão, o pedreiro Joel Queiroz, teriam continuado a atirar, fugindo em uma Pick-up Fiat, placas ADQ 6583, em direção à avenida Juscelino Kubitschek, onde abandonaram o automóvel. Antes, porém, colidiram com outro veículo, deixando o motorista ferido.
O projétil atingiu Cristian pelas costas, perfurou o intestino grosso provocando uma infecção generalizada que, por sua vez, resultou em uma crise renal aguda, convulsões e coma. Hoje, Cristian Moretto vive em estado vegetativo.

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