Crise provoca debate entre direção e MP
Durante a entrevista à Folha, o promotor Paulo Tavares aproveitou para discordar do comentário de Moreira Júnior feito durante entrevista publicada pela Folha na quarta-feira, em que ele declara que o Ministério Público (MP) tem pouca influência, e que todas as vezes em que se manifestou, conseguiu pouca coisa no que se refere à crise na área de saúde, que tem causado a falta de leitos de UTI no HU.
''Eles se queixam constantemente do Estado. Agora, nós passamos a ser o alvo? Os responsáveis por tudo isso? Acompanhamos as declarações com perplexidade. É lamentável esse posicionamento, já que o Ministério Público tem lutado para que o HU se fortaleça cada vez mais. Participamos de várias reuniões com o hospital e entramos com algumas medidas, fazendo articulações com o poder público para ajudar a solucionar os problemas do HU'', acrescentou Tavares.
Ele reclama da demora da direção do hospital para responder os questionamentos do MP. ''O hospital não tem me retornado as ligações telefônicas. Estou ligando desde a semana passada. Ontem (terça-feira) liguei e não obtive retorno. Hoje (anteontem) também não retornaram. O que está acontecendo ?''.
Com um fax do promotor sobre a mesa, solicitando informações a respeito do número de pacientes graves no hospital, Moreira Júnior comentou a participação do MP na crise.
''O promotor Paulo Tavares é um parceiro nosso, principalmente quando se trata de questionar o governo e dizer que a preferência na criação de novos leitos de UTI seja sempre para o HU, que é o único hospital da região cem por cento destinado aos pacients do SUS e que é referência em várias áreas. Ele (Tavares) entende que a prioridade deve ser nossa. Quando falei que a atuação do MP, naquele momento, não surtia grandes efeitos, é porque também temos que fazer um corpo-a-corpo junto aos outros hospitais, a Secretaria de Saúde e a 17 Regional de Saúde para conseguir mais empenho. Em termos de reivindicações de equipamentos, ampliação do hospital, aí é de grande valia a participação da promotoria'', destacou Moreira Júnior.
O diretor clínico disse que o HU parou de fornecer as informações solicitadas pela promotoria porque a Secretaria Estadual da Saúde ainda não concluiu a sindicância para apurar as mortes de pacientes que esperavam por UTI no primeiro semestre.(F.L.)





