CRISE Prefeitura quer assumir Aeroporto
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terça-feira, 25 de setembro de 2007
Giancarlo Franquini<BR>Especial para a FOLHA 
Maringá - A companhia criada pela Prefeitura de Maringá para administrar o Aeroporto do município - SBMG - pretende assumir o controle do serviço de rádio que hoje é prestado pela empresa Nordeste Linhas Aéreas. O pedido já está na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O aeroporto não possui controladores de vôo e as orientações sobre o clima e condições da pista são passadas aos pilotos por operadores de rádio da empresa. O assunto voltou à discussão após os incidentes ocorridos nos dias 5 e 12 de setembro, quando aeronaves da Trip ficaram sobrevoando a cidade, antes de conseguir aterrisar, por falta de sinalização na pista. A empresa teria suspendido os serviços de auxílio de vôo à Trip por conta de uma dívida.
Para o superintende do Aeroporto de Maringá, Marcos Valêncio, a SBMG deve assumir o controle do sistema de rádio, da biruta e do farol rotativo o mais rápido possível. ''Na verdade, todos os equipamentos usados já são do aeroporto. A Nordeste só tem as pessoas que prestam o serviço'', explica.
Segundo Valêncio, o pedido para implantação da torre de controle já foi feito à Anac há quatro meses. Agora, com os incidentes envolvendo a Nordeste Linhas Aéreas e a Trip Linhas Aéreas, ele acredita que o processo caminhará com mais agilidade. A administração também espera que o Cindacta 2 libere a instalação da torre de vôo.
''Nossa intenção não é só passar informações sobre as condições da pista, como ocorre hoje, queremos assumir o controle dos vôos também'', revela. Esse trabalho de orientações é feito pela Varig em Maringá desde 1982. A Nordeste é uma empresa da Varig, que com a falência da companhia, acabou se dedicando mais a esse tipo de prestação de serviço. Hoje, ela é responsável por seis Estações de Telecomunicações de Tráfego Aéreo no Brasil.
Depois do incidente, no dia 12, a administração do aeroporto assumiu o controle do balizamento da pista. Por dia, ocorrem em Maringá 16 procedimentos de pouso e decolagem e parte deles são no período noturno e início da manhã, quando as luzes da pista precisam estar acessas para orientar os pilotos.
Essa semana, a Polícia Civil de Maringá também dará início as investigações sobre o caso. ''Ainda não temos a caracterização de um crime e nem de pessoas culpadas ou não. Vamos chamar todos aqui, para descobrir porque as luzes estavam apagadas e se realmente esse tempo no ar ofereceu riscos a aeronave e seus passageiros'', informou o delegado do 2º Distrito, Paulo César da Silva. Ele acredita que o inquérito deverá ser concluído no próximo mês.
De acordo com nota oficial da Trip, desde o dia primeiro de setembro as operações em Maringá estão sendo realizadas sem o apoio do serviço de rádio por causa de uma demanda judicial que questiona as tarifas cobradas pela Nordeste. ''Estas chegam a ser quatro vezes mais altas do que em outro aeroportos'', explica a nota. A empresa afirma também que as autoridades competentes como a Administração e Controle de Tráfego Aéreo, Anac, Infraero e cindacta 2 estão cientes dos fatos.
A FOLHA tentou um contato com a Nordeste mas não conseguiu falar com ninguém da empresa.


