LONDRINA Crise política ameaça mais uma entidade Presidente do Centro de Trabalho Social e Atendimento ao Idoso é acusado inclusive de desvio de verbas para benefício próprio Paulo WolfgangPROVAS DOCUMENTAISCícero Ricardo, Osvaldo Albergone e Alexandre Isidoro Jeronymo: cópias de recibos e movimentações bancárias Osmani Costa De Londrina Criado há dez anos e depois de ter superado os constantes problemas financeiros, o Centro de Trabalho Social e Atendimento ao Idoso de Londrina (Centrasil) atravessa nos últimos meses uma séria crise política. O presidente da entidade Jonas Emiliano Guimarães está sendo acusado de improbidade administrativa, desvio de verbas para benefício próprio, não prestação de contas e de ter feito alterações no estatuto da entidade de forma irregular. As denúncias foram encaminhadas no ano passado à Secretaria de Ação Social de Londrina e à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, pelo associado Osvaldo Albergone e pelo diretor benemérito do Centrasil, o funcionário público federal Alexandre Isidoro Jeronymo. Na manhã de ontem, os dois estiverram na Redação da Folha acompanhados do membro do Conselho Fiscal da entidade Cícero Ricardo. Eles mostraram fotocópias de notas fiscais e de guias de movimentação bancária que dizem provar as irregularidades cometidas por Jonas Guimarães, desde que ele assumiu a presidência, em meados de 1997. Nas notas fiscais em nome do Centrasil encontram-se gastos com ração para gatos, lâminas para barbear, refrigerantes, refeições em restaurante, táxis, e outras que os denunciantes consideram estranhas às necessidades e atividades do centro. Com cópia de guia de movimentação da agência centro do Banespa, os acusadores mostram que Jonas Guimarães transferiu R$ 23.860,00 da conta do Centrasil para a conta particular da companheira dele, Joana de Souza Ribeiro. ‘‘O presidente está pondo a perder toda a história da entidade. Ele é arbitrário e violento, tratando os idosos aos gritos, murros na mesa e com xingamentos’’, ressalta Isidoro Jeronymo. De acordo com ele, o presidente Jonas Guimarães não apresentou a prestação de contas dos últimos três anos ao Tribunal de Contas do Estado e ao Ministério da Justiça. ‘‘A entidade recebe mensalmente R$ 840,00 da Prefeitura de Londrina e R$ 324,00 do governo federal. Ninguém sabe direito onde este dinheiro foi parar deste que ele assumiu o comando do Centrasil. Só sabemos é que boa parte foi desviada em benefício dele mesmo’’, afirma Osvaldo Albergone. Segundo os denunciantes, só de multa pela emissão de 18 cheques sem fundos, o Centro de Idosos teve que pagar R$ 271,50 nos últimos meses. De acordo com Cícero Ricardo, o total de notas fiscais não aceitas pelo Conselho Fiscal para a aprovação das contas já atinge cerca de R$ 4.800,00. Entre elas, encontram-se despesas com viagens, hotéis, pedágios e telefonemas interurbanos que seriam particulares de Guimarães. Uma assembléia para avaliar e aprovar ou não as contas do presidente está marcada para a tarde de amanhã. Guimarães está sendo acusado ainda de cobrar indevidamente uma taxa mensal de R$ 1,00 de cada um dos 120 associados do Centrasil. Osvaldo Albergone conta que os bailes dos idosos foram transferidos para um salão de shows que pertence a Guimarães, que fica com a renda obtida com as rodadas de bingo e a venda de bebidas e lanches. ‘‘Além dos problemas administrativo-financeiros, Guimarães alterou de maneira irregular o Estatuto e o Regimento Interno da entidade, para possibilitar o direito a voto de moradores de outras cidades da região e garantir a reeleição dele, no ano passado’’, acusa Alexandre Jeronymo.