Crise pode ter causado saída de secretário da Saúde
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terça-feira, 22 de março de 2005
Lúcio Flávio Moura<br> Reportagem Local 
Cascavel O cirurgião Jorge Boca Santa deixou ontem o cargo de secretário municipal de Saúde de Cascavel. No pedido de exoneração, ele alegou ''motivos pessoais''. Boca Santa será substituído interinamente pelo prefeito Lísias Tomé (PPS), que deve acumular a pasta por pouco tempo. Tomé é cardiologista.
Nos bastidores, a explicação para a saída do secretário está ligada à crise de relacionamento entre os médicos da rede municipal e a prefeitura. A crise começou no último semestre da gestão do ex-prefeito Edgar Bueno, que tentou fazer cumprir a jornada de quatro horas para os médicos, estabelecido no contrato de trabalho.
Historicamente, os médicos eram ''liberados'' para suas atividades paralelas antes de completar a jornada na rede municipal. Na nova administração, Boca Santa era o homem incumbido de apaziguar os ânimos dos colegas. Com a situação inalterada, os médicos ameaçam novamente entrar em greve, reivindicando melhores condições de trabalho. Como não houve avanço nas negociações, Boca Santa teria optado pela exoneração.
Segundo a assessoria de imprensa, a prefeitura tem feito todos os esforços para aumentar o volume no atendimento das 32 unidades de básicas e nas quatro unidades de pronto atendimento. Há, inclusive, de acordo com a assessoria, um projeto para reformar todas as unidades da rede municipal.
O déficit no atendimento da rede municipal está provocando outro problema para os moradores da região: a sobrecarga no Pronto-Socorro do Hospital Universitário, o maior do Oeste/Sudoeste.
O reitor da Universidade Estadual do Oeste (Unioeste), Alcebíades Luiz Orlando, está em Curitiba para tentar ampliar o quadro de funcionários no setor de emergência. Ele pleiteia a realização de um teste seletivo para contratar 79 funcionários. Se não houver este reforço, a direção do HU ameaça restringir o atendimento à população a partir de abril.


