Crise pode gerar resistência da população
A resistência da população em voltar a aderir ao programa de coleta seletiva é a pior consequência que a crise enfrentada pelo serviço pode gerar. A opinião é do geógrafo Wladimir Cesar Fuscaldo, professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), cuja tese de mestrado abordou o tema ''Resíduos sólidos: práticas e conceitos. Um estudo a partir da experiência em Londrina''.
''Quando as pessoas começam a perceber que os resíduos separados não estão sendo recolhidos e que o material vai para o lixo comum, tendem a desacreditar do programa'', opina.
O professor lembra que a coleta seletiva e a reciclagem não são a solução final para o problema da geração de resíduos. ''São apenas paliativos. A solução depende de políticas industriais que trabalhem na redução do uso de embalagens descartáveis.'' Outra necessidade é a mudança nos hábitos de consumo, adotando a prática de adquirir produtos cujas embalagens sejam mais racionais e com menor potencial poluente.
Fuscaldo defende também o investimento em programas de educação ambiental que disseminem esse comportamento e conscientizem a população e os trabalhadores da reciclagem sobre o chamado princípio dos quatro ''Rs'': recuperar materiais, reduzir a geração de lixo, reutilizar ao máximo e finalmente reciclar os resíduos que não foram aproveitados nas etapas anteriores.
Segundo ele, a adoção dessas diretrizes beneficiaria inclusive os trabalhadores da coleta seletiva, que hoje enfrentam uma crise por causa da grande oferta de materiais. ''O próprio comportamento do mercado demonstra que há excesso.''(C.A.)





