Crise pode fechar hospital em Ibaiti
O Hospital de Misericórdia São João Batista, que funciona há 34 anos em Ibaiti (80 km ao sul de Jacarezinho) corre o risco de fechar suas portas por falta de recursos. Numa estrutura de 4.930 metros quadrados construídos, com 125 leitos, quatro salas cirúrgicas, berçários patológico e alojamento conjunto na maternidade, o hospital está ocupando apenas 30% de sua capacidade.
Semana passada, líderes políticos e representantes da comunidade estiveram reunidos na Câmara de Vereadores, em um encontro multipartidário para tentar reverter o quadro. Eles reivindicam que o hospital regional prometido pelo governador Jaime Lerner seja ali, ocupando a estrutura já existente.
Segundo o secretário de Saúde de Ibaiti, Valter Dias Bueno, a cidade é pólo da microrregião e atende uma média de 290 mil pessoas de 26 cidades. Outra opção para a instalação do hospital regional seria a microrregião de Santo Antônio da Platina, que atende 200 mil pessoas. Nossa estrutura é praticamente completa, faltando somente Unidades de Terapia Intensiva, afirmou.
Fundado em 1964, o Hospital de Misericórdia é mantido pela Associação Beneficente Educacional e Cultural (ABEC), da congregação Santa Catarina de Sena Medéias. O administrador do hospital, João Carlos Licheski Júnior, informou que a congregação faz doações. Mas já não está em condições de manter o hospital, que é filantrópico.
Segundo Licheski, só 46 leitos estão sendo usados entre particulares e Sistema Único de Saúde (SUS). A estrutura restante está em plena condição de uso, sendo conservada e limpa semanalmente, afirmou. Ele disse ainda que o hospital proposto pelo governo é de 72 leitos e duas UTIs. Só desocupados, temos 83 leitos. É mais fácil investir aqui para reequipar esta estrutura do que construir outra, justificou.
Hoje, o hospital conta com oito médicos e 31 funcionários. A receita mensal é de R$ 21 mil e as despesas chegam a R$ 29.067,00. O que salva são as doações, explicou Licheski. Segundo ele, a verba de internações mantida pelo SUS caiu de R$ 18 mil do ano passado para R$ 8,5 mil este ano. Isso porque as 175 Autorizações de Internações Hospitalar (AIH) que chegam ao município têm que ser repartidas com o hospital municipal e outros, quando há encaminhamento. Dos 170 pacientes/mês que atendemos, recebemos 90, os outros 70 ficam no prejuízo. O prazo de vida do hospital é curto, afirmou.
O vereador do PFL Gilmar Cândido informou que durante a reunião cada representante de grupo, político ou não, fez um encaminhamento ao governo do Estado pleiteando o hospital regional.Carlos AlmeidaRiscoHospital de Misericórdia São João Batista, mantido por associação beneficente: sob ameaça de fechamentoLuciane Tonon





