Após retornar o atendimento na noite de quarta-feira, o Pronto Socorro Médico (PSM) do Hospital Universitário (HU) voltou a suspender as consultas ontem de manhã. A interrupção atingiu também o Pronto Socorro Ortopédico. Nas duas unidades foram realizados apenas atendimentos de urgência e emergência. A causa dos fechamentos, novamente, foi a superlotação. O problema comprometeu a capacidade de atendimento dos outros hospitais da cidade conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS).
No Hospital Zona Norte (HZN), o movimento aumentou ''assustadoramente'', segundo a enfermeira do período da tarde, Elaine Cristina Gomes Rezende. Ela contou que havia pacientes graves internados na sala de emergência do hospital a espera de vagas para transferência a outros estabelecimentos. Uma dessas pessoas precisava de internamento em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), que o HZN não possui. ''Há risco de suspensão no atendimento do PS'', disse.
A Santa Casa também trabalhava, ontem, acima da capacidade. Com oferta de 18 vagas no pronto-socorro, o hospital contabilizava 28 pacientes internados na unidade. A situação da UTI também estava crítica. Como as 28 vagas estavam ocupadas, três pacientes graves foram internados na sala de emergência, que possui cinco boxes. Apesar da lotação, a assessoria de imprensa do hospital informou que não é possível creditar o aumento na demanda à suspensão do PSM do HU.
No Hospital Zona Sul (HZS) o aumento na demanda foi observado. Durante a tarde, entretanto, não havia risco de fechamento do pronto-socorro. ''Estamos no pico do atendimento, mas a situação está sob controle'', afirmou o diretor a Elzo Augusto Carreri, diretor administrativo do hospital. Segundo ele, os reflexos do fechamento do PSM do HU costumam ser sentidos rapidamente no Zona Sul. ''Boa parte dos pacientes vêm para cá por causa da proximidade'', disse. Mesmo em caso de superlotação, o diretor garantiu que as consultas não serão suspensas. ''Preferimos atrasar o atendimento'', afirmou.
O secretário municipal de saúde, Sílvio Fernandes, afirmou ontem que a situação é preocupante. ''Os problemas do HU comprometem todo o sistema público de saúde'', ressaltou. Ele pediu aos outros hospitais para ampliarem o atendimento, na tentativa de amenizar a falta de vagas. Ontem, nove pacientes do Hospital Universitário foram transferidos para Hospital Infantil, Santa Casa, Hospital Evangélico e hospitais Zona Norte e Zona Sul.
A Folha tentou falar com o diretor clínico do HU, Sinézio Moreira Junior, mas ele estava em reunião e não pode dar entrevista. O superintendente do estabelecimento, Francisco Eugênio, também não foi encontrado. A assessoria de imprensa informou que a menina com meningite que estava isolada, ontem, em uma sala de antedimento do Pronto Socorro Pediátrico, tinha sido transferida para o setor de moléstias infecciosas. A UTI continuava sem vagas.

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