Porecatu - A crise na Usina Central está deixando Porecatu (85 km ao Norte de Londrina) e os municípios vizinhos paralisados. A avaliação é de autoridades e comerciantes da cidade. A empresa, que está com as atividades paralisadas, é alvo de uma operação conjunta do Ministério do Trabalho, Polícia Federal (PF) e Ministério Público do Paraná com objetivo de combater o trabalho escravo. Diversas irregularidades foram encontradas no local, porém, o MP descarta pedir a interdição.
Com a Usina Central parada, o comércio de Porecatu e região também está sem movimento. A dependência da cidade em relação à produção da empresa é praticamente completa. A estimativa da administração municipal é que 90% da arrecadação de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sejam gerados pela usina.
O número de empregos diretos gerados pela empresa gira em torno de 4 mil, o que resulta em 12 mil indiretos. Um índice alto para uma cidade cuja população é de 15 mil habitantes. Para o prefeito Dario Di Migueli Lunardelli (PSL), o mais importante é que o impasse seja resolvido e a usina volte a fazer a moagem da cana-de-açúcar. Se a situação não se normalizar, a saída será decretar estado de calamidade pública e de emergência.
''Assim poderíamos receber ajuda estadual e federal para distribuir cestas básicas e medicamentos, por exemplo. Sem a usina, a cidade não aguenta'', afirmou Lunardelli, que é candidato à reeleição. A Câmara Municipal pretende realizar nos próximos dias mais uma audiência pública para discutir saídas para a crise.
A dependência reflete diretamente no movimento do comércio. Proprietário de uma loja de confecções mais tradicionais de Porecatu, José Braz de Oliveira, 54, calcula que as vendas caíram 60% após o início da operação. E a crise, na opinião do comerciante, é uma das mais graves dos últimos anos.
''O comércio está parado. Quem entra na loja desiste de comprar quando pensa nessa situação. A perspectiva é a pior possível'', lamentou Oliveira, cuja situação financeira não é mais complicada pela ajuda de dois filhos que trabalham fora.
''Caótica'' é a palavra usada pelo proprietário de supermercado Hélio Fernandes Simeão, 44, para definir a atual situação. E a expectativa é que dias piores virão, uma vez que a população não terá dinheiro para fazer as compras do mês seguinte. E os valores gastos em julho ainda permanecem pendentes.
''Não vamos vender esse mês. O medo é que a usina feche as portas e a cidade fique sem uma alternativa econômica'', afirmou Simeão. Ele acrescentou que os funcionários públicos do estado, prefeitura e aposentados garantem o movimento do estabelecimento dele.
''O desespero existe. O pessoal queria estar trabalhando. Se tem pagamento atrasado, tem que autuar mesmo. Mas a situação já era crítica porque a usina estava parada por causa da revisão anual e agora é ainda pior por causa da fiscalização'', avaliou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Porecatu, Helmut Rossman.

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