Crise na Unioeste já afeta população
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segunda-feira, 13 de agosto de 2001
Gilmar Agassi<BR>De Cascavel 
A falta de material de consumo e o sucateamento de equipamentos nas clínicas do curso de Odontologia da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) estão revoltando os acadêmicos e prejudicanto o atendimento à população carente. Sem material os alunos ficam impedidos de terem aulas práticas. Desde ontem todas as atividades estão interrompidas. Mais de 70 pessoas deixam de ser atendidas diariamente nas três clínicas. Para hoje, alunos, professores e pacientes prometem uma manifestação em repúdio à falta de recursos para custeio do curso.
O aluno do 5º ano, Alexandre Webber, explica que as cadeiras odontológicas adquiridas em 1995, na época da implantação do curso, estão, em sua maioria, deterioradas pela falta de manutenção. Disse, que na última semana acabaram materiais como curativos e anestésicos. ''Existem pessoas que estão com curativos e que precisariam voltar esta semana para fazer a troca. Mas, o problema é que não temos material para realizar o atendimento'', reclama.
A aluna Márcia Busato acrescenta que outro agravante é a falta de funcionários para as clínicas, que funcionam graças ao remanejamento de outros, pertencentes ao campus de Cascavel. Ela ressalta que as clínicas precisam estar sempre limpas, pois a falta de higiene pode causar complicações, como infecções. ''Estava prevista a contratação de 29 funcionários para trabalhar na manutenção das clínicas. Como isso não ocorreu, foi necessário o empréstimo de quatro do campus'', explica.
Alexandre Webber diz que devido a falta de alguns materiais, como luvas, agulhas, máscaras, sugadores e gorros, os próprios acadêmicos estão sendo obrigados a comprar para fazer o atendimento. Ele afirma que alguns atendimentos, como o de prótese, já não vinham sendo feitos porque os pacientes precisam pagar para fazer o molde fora da clínica.
O coordenador do curso de Odontologia, Rolando Pezzini, observa que são cerca de 2,5 mil procedimentos realizados todos os meses nas clínicas. Ele lembra que a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior se comprometeu a repassar R$ 1,3 milhão para investimentos que seriam utilizados para compra de equipamentos. Desse montante, apenas R$ 360 mil chegou ao curso. ''Está sendo um descaso muito grande o que vem acontecendo com nossa universidade. Dessa maneira não há como sobreviver'', reclama.
O coordenador de Odontologia explica que para a manutenção do curso seriam necessários cerca de R$ 70 mil por ano. Pezzini diz estar preocupado com o processo de reconhecimento do curso previsto para ser iniciado no final do ano. ''A avaliação começa logo e dessa forma corremos sério risco de sermos reprovados'', conclui.


