CRISE NA SAÚDE - Hospitais universitários sofrem com falta de pessoal
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segunda-feira, 18 de abril de 2016
Aline Machado Parodi<br>Reportagem Local 
A superlotação do Pronto-Socorro (PS) e a demora na nomeação de servidores não ocorre apenas no Hospital Universitário (HU) de Londrina, que desde ontem restringiu o atendimento. Os hospitais universitários de Cascavel, Ponta Grossa e Maringá também enfrentam os mesmos problemas.
A superintendência do HU de Maringá (HUM) aguarda a nomeação de 131 servidores aprovados no concurso público, realizado no ano passado. Enquanto as nomeações não saem, o hospital tem contratado profissionais temporários e utilizado recursos do SUS para esse pagamento. "Não é o ideal porque esses recursos acabam fazendo falta para outros fins como, por exemplo, compra de medicamentos", comentou o reitor da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Mauro Luciano Baesso.
O reitor ressaltou que, sem essas nomeações, o HUM corre o risco de desativar alas, assim como ocorreu com o HU de Londrina, que fechou o Centro de Tratamentos de Queimados (CTQ) e restringiu o atendimento no PS.
O HU de Maringá conseguiu ampliar em 27 o número de leitos totais após uma reforma concluída em março. Com essa ampliação, a unidade conta com 150 leitos, mas, de acordo com Baesso, para atender a demanda da região seriam necessárias 500 vagas.
No PS são atendidas mais de 100 pessoas por dia e o setor também sofre com a superlotação. A estrutura física do PS permite o atendimento em torno de 95 pessoas em macas.
Está previsto para o ano que vem a abertura de mais 100 leitos de retaguarda em Maringá. As obras iniciaram na semana passada e a previsão de conclusão é de 17 meses. Orçada em R$ 14 milhões, esses novos leitos devem desafogar o pronto-socorro. Os recursos são provenientes da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa).
CONCURSO
No Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP), em Cascavel, o PS tem 20 vagas, mas atende, em média, entre 30 e 40 pacientes por dia. O hospital também aguarda a nomeação de servidores aprovados em concurso.
Em Ponta Grossa, o Hospital Universitário Regional dos Campos Gerais fechou, temporariamente na sexta-feira, o Pronto Atendimento (PA). Com apenas quatro leitos para urgência e emergência e a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) lotada, a direção do hospital suspendeu o atendimento de pacientes graves. De acordo com o diretor geral do HU, Everson Augusto Krum, esta é uma situação esporádica. No total, o PA conta com 14 leitos.
A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) assumiu a administração da unidade em 2013 e o hospital está estruturando o seu quadro de funcionários. A direção do HU finalizou um estudo que será encaminhado à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e à Assembleia Legislativa para que seja realizado concurso público para contração de funcionários.
Pelo estudo, o HU precisa de 900 servidores entre médicos, enfermeiros e técnicos em enfermagem. Atualmente, conta com 500 funcionários cedidos pela Secretaria Estadual de Saúde e 100 servidores cedidos pela universidade. "Um mês atrás abrimos um edital (de concurso) com 50 vagas para técnico de enfermagem, mas apenas 28 apareceram. Acredito que haja uma carência de mão de obra na região, pois o salário é atrativo", comentou o diretor.
Krum afirmou que pretende abrir um novo edital para tentar preencher as vagas, mas para otimizar os recursos humanos, o hospital tem feito mutirões de atendimentos e exames. Em média, são realizados 4,2 mil atendimentos ambulatoriais por mês.
Na semana passada, a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) informou que não tem previsão de data para nomeação dos servidores.


