CRISE NA SAÚDE - Falta de UTI atrasa cirurgias eletivas
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terça-feira, 28 de junho de 2005
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Com dois graves aneurismas abdominais, o pai da vendedora Chiara Cristina Andrade, aguarda com ansiedade um telefonema do Hospital Universitário de Londrina para a realização de uma cirurgia. A angústia do senhor de 60 anos aumenta a cada dia porque o procedimento deveria ter sido feito no final de semana mas não foi realizado até o momento por falta de uma vaga para internamento. O número de doentes iguais a ele que espera pela realização de cirurgias está sendo apurado pela Diretoria de Avaliação e Controle (Daca) da Secretaria Municipal de Sa© úde e deve ser entregue hoje à Comissão de Seguridade Social da Câmara Municipal.
O adiamento das chamadas cirurgias eletivas é um problema conhecido por todos os envolvidos em saúde pública na região e acontece porque boa parte dos pacientes precisa de um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para monitorar suas funções vitais no pós-operatório. A diretora do Daca, Margareth Shimiti, preferiu não adiantar ontem os números do levantamento que está sendo preparado à pedido do Legislativo, mas confirmou que a dificuldade de encontrar leitos de cuidados intensivos tem atrasado a realização dos procedimentos cirúrgicos e isso traz uma preocupação a mais, já que muitos dos pacientes que aguardam na fila poderão ter complicação de seus quadros e precisarem ser operados com urgência.
No caso do pai da vendedora, sua situação já estaria bastante grave. ''É como uma bomba-relógio que pode explodir a qualquer momento e se isso acontecer ele morre'', apontou Chiara. Os dados que serão entregues hoje na Câmara também serão usados pelo Ministério da Saúde para definir campanhas de cirurgia em massa para aquelas especialidades que tiverem maior demanda.
Participante do fórum que discutiu a superlotação dos leitos de UTI no município na última segunda-feira, o presidente da Associação Médica de Londrina (AML), Aparecido José Andrade, confirmou que o problema interfere na realização das cirurgias eletivas e a espera traz riscos extras aos pacientes. ''O que acaba acontecendo é que um paciente que precisa de uma cirurgia eletiva cardíaca ou neurológica acaba esperando uma ou duas semanas. Este paciente também corre risco. Essa situação foi a que mais a Secretaria Estadual de Saúde questionou. Quantos leitos precisa? Como fazer fluir a demanda?''
Para apurar se pessoas estão ou não morrendo por falta de UTI em Londrina, a chefe da 17 Regional de Saúde, Vânia Gutierrez, reafirmou que todos os hospitais londrinenses que contam com leitos de cuidados intensivos deverão ser auditados. Ontem, a equipe de auditores que está no Hospital Universitário foi reforçada por mais dois médicos de Curitiba. Sobre os reflexos dessa carência nos agendamentos de cirurgias eletivas, a chefe da 17 Regional de Saude afirmou que acompanha a situação de perto e que em algumas especialidades não existem filas. (Colaborou Francismar Lemes)


