Crise motiva ação contra governador
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terça-feira, 11 de novembro de 1997
Osmani Costa 
Londrina
Integrantes do Movimento Pró-Hospital Universitário de Londrina entregaram na manhã de ontem ao promotor de Defesa da Saúde Pública, Paulo César Vieira Tavares, abaixo-assinado solicitando providências para apuração dos responsáveis pelos graves problemas enfrentados pelo HU nos últimos anos. Eles também pediram medida judicial responsabilizando criminalmente as autoridades ligadas à saúde estadual, entre elas o governador Jaime Lerner (PFL).
O movimento pró-HU (hospital que pertence à Universidade Estadual de Londrina), coordenado pelo médico e vereador Tercílio Turini (PSDB), é formado pelo Conselho Municipal de Saúde, Sindicato dos Professores e Diretório Central dos Estudantes da UEL, entre outras entidades. O documento entregue ao promotor foi assinado por mais de 5 mil pessoas e contém laudos técnicos da Vigilância Sanitária e do Corpo de Bombeiros, que comprovam as precárias condições de funcionamento do HU.
A situação do hospital é realmente grave, chegou a um ponto insustentável. Não dá mais para ficarmos esperando de braços cruzados. Estamos cansados de assistir a secretários do Estado e ao próprio governador virem aqui, prometerem recursos, e depois não enviarem o dinheiro necessário para as reformas, comentou o promotor Paulo Tavares. Ele anunciou instalação de procedimento administrativo para apurar responsabilidades e exigir providências.
Segundo o promotor, inicialmente ele estudará os documentos apresentados e solicitará às autoridades explicações oficiais e por escrito sobre a destinação dos recursos previstos no Orçamento do Estado de 96 - cerca de R$ 30 milhões - para a reforma do HU, que nunca chegaram em Londrina, e sobre as soluções que pretendem adotar para os problemas que afligem o maior hospital público do Paraná, com cerca de 18 mil atendimentos mensais.
Queremos saber do governador, do secretário de Saúde, do secretário de Ensino Superior, ao qual é ligado a UEL, para onde foi o dinheiro prometido. Já conhecemos a situação de penúria do HU. Agora, vamos exigir providências, explica Paulo Tavares, ressaltando que na sequência poderá chegar a uma ação civil pública de responsabilização pela crise do HU.
É esperada para hoje a resposta do Governo às reivindicações de dinheiro para a reforma do HU, após audiência do secretário estadual de Saúde, Armando Raggio, com o governador Lerner, conforme prometido na última semana ao superintendente do hospital, Cláudio Camacho.


