Funcionários das secretarias municipais de Ação Social e da Mulher, de Londrina, reivindicaram ontem à tarde ao prefeito em exercício, Jorge Scaff (PSB), a tomada de medidas urgentes para resolver os efeitos de uma grave crise financeira que tem levado ao sucateamento a infra-estrutura dos dois órgãos públicos municipais. Os trabalhadores também argumentaram os prejuízos causados pela não reposição dos funcionários que atendem a população mais carente da cidade.
De acordo com um documento protocolado no gabinete do prefeito, apenas 9,22% das 160 mil pessoas em situação de risco pessoal e social recebem hoje algum tipo de atendimento assistencial em Londrina, apesar de terem este direito garantido pela legislação brasileira. ‘‘Nossa situação é muito ruim. A crise é gravíssima. Falta tudo na secretaria, inclusive gasolina para os veículos. Às vezes, temos que pagar com nosso dinheiro o combustível, para podermos atender carentes que necesitam de nossos serviços. Queremos respeito ao nosso direito de trabalhar’’, afirmou a assistente social Maria Giselda de Lima.
O prefeito em exercício disse aos funcionários que está preocupado com a situação exposta e que encaminharia um pedido de estudo de possíveis soluções ao secretário de Fazenda, Jair Gravena. ‘‘O prefeito deixou claro, no entanto, que a situação financeira da prefeitura é muito complicada e não comporta promessas irrealizáveis’’, informou no final da tarde a assessoria de imprensa da prefeitura. O secretário de Ação Social, José Dorival Perez, não foi encontrado ontem pela Folha. Ele também não retornou ligação telefônica da reportagem, solicitando informações sobre o assunto.
Antes de serem recebidos pelo prefeito em exercício, os funcionários estiveram no Fórum de Londrina, acompanhados por representantes do Conselho Municipal de Assistência Social, do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, e dos conselhos regionais de Serviço Social e de Psicologia. Eles se reuniram com o promotor de Defesa dos Direitos Constitucionais, Paulo César Tavares, para solicitar a intervenção junto à prefeitura para garantir a contratação de novos funcionários.
As contratações seriam para repor as 28 vagas deixadas com a demissão de assistentes sociais, advogados, educadores sociais e psicólogos nos últimos anos, nas secretarias de Ação Social e da Mulher. O promotor afirmou que conhece a necessidade destas contratações – ‘‘porque a prefeitura tem diminuído o número de pessoal nos projetos da área social’’ – e interfirirá junto ao Executivo na tentativa de que elas ocorram o mais breve possível.

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