Curitiba - A poucos dias do início da temporada de verão 2008/2009, a crise financeira e política que afeta algumas cidades do Litoral do Paraná preocupam moradores e empresários da região. ''A gente vê que as cidades maiores ainda sofrem com as enchentes e a má qualidade da água'', diz o empresário Eduardo Maranhão, proprietário dos hotéis Camboa de Paranaguá e Antonina.
''É uma situação que incomoda porque há uma repercussão ruim desses problemas na mídia'', completa José Chicarelli, presidente da Associação de Hotéis, Bares e Restaurantes do Litoral. Ele está particularmente preocupado com a ''crise sem fim'' que afeta os municípios de Guaratuba e Matinhos desde outubro. As duas cidades enfrentam problemas financeiros, com atrasos no pagamento de salários e dificuldades para manter o atendimento médico. ''As cidades do Litoral vão passar por uma transição política em plena temporada'', alerta.
A prefeita eleita de Guaratuba, Evani Justus (PSDB), diz estar fazendo um levantamento da situação. ''Nossa prioridade é recuperar a credibilidade do município, limpar as valetas e reativar o atendimento de saúde'', adianta. A reportagem tentou conversar com o atual prefeito de Guaratuba, Miguel Jamur, e com o prefeito eleito de Matinhos, Eduardo Dalmora (PDT). A assessoria de imprensa de Jamur informou que ele não está ''disponível para entrevistas''. Dalmora não retornou as ligações.
Em Pontal do Paraná, o atual prefeito, Rudisney Gimenes (PMDB), se reelegeu, mas não deve escapar das dificuldades de caixa neste fim de ano. ''Por causa da lei de responsabilidade fiscal, a gente acaba tendo que zerar o caixa para fechar o ano sem dívidas, porque a lei não deixa'', conta. ''As dificuldades que temos são as mesmas que a dos prefeitos eleitos, mas a vantagem é que vamos poder dar continuidade ao trabalho que já está sendo feito'', avalia. Segundo Gimenes, Pontal ''está com todas as unidades de saúde em perfeito funcionamento, farmácias abastecidas e sem dívidas''.
Velhos conhecidos dos veranistas, os alagamentos são consequência da falta de manutenção da rede de águas pluviais, explica a diretora de Meio Ambiente e Ação Social da Sanepar, Arlete Rosa. ''As prefeituras não fazem a limpeza das tubulações'', aponta. Por outro lado, a empresa afirma ter acabado com a falta de água na região. ''Houve um avanço na resolução de velhos problemas'', admite Chicarelli. ''Mas o planejamento de longo prazo não avançou.''
Para o prefeito de Pontal do Paraná, a solução para o problema dos alagamentos é complexa. Segundo ele, a cidade teria que receber ''um trabalho maior de drenagem''.
A Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), responsável pela coordenação da Operação Verão, informou que ''todos os anos, durante o ano todo, os órgãos do governo estão no Litoral atendendo a comunidade local e avaliando os pontos que precisam ser melhorados para a temporada''. ''Tínhamos problemas com esgoto e com a balneabilidade, estamos resolvendo isso com investimentos de cerca de R$ 150 milhões e agora dependemos muito da população se ligar à rede para melhorar ainda mais a nossa balneabilidade'', informou a Sesp.

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