Crise fecha mais um hospital em Cambé
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sexta-feira, 18 de dezembro de 1998
Mauricio Della Barba 
Mais um hospital fechou as portas em Cambé. A Casa de Saúde São Lucas já não está internando pacientes desde o último dia 15 e dispensou todos os 17 funcionários. O hospital é um dos mais antigos da cidade, com 42 anos, e atendia pacientes particulares e do SUS. O São Lucas somente está utilizando as suas dependências para atender consultas.
Com o fechamento do Hospital Londrina, no ano passado, e agora do São Lucas, Cambé passa a ter apenas dois hospitais, a Santa Casa e o São Francisco. O primeiro conta com 110 leitos e o segundo com 50, para atendimento de particulares e de pacientes pelo SUS. A cidade fica em situação crítica em termos de estrutura hospitalar. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) o ideal é ter um leito para cada 250 habitantes. Cambé tem 85 mil habitantes e 160 leitos, o que representa um leito para mais de 530 habitantes.
O motivo dado por um dos donos do São Lucas para o fechamento é o prejuízo acumulado. Nossa dívida estava em torno de R$ 100 mil, sendo R$ 62 mil só no banco, disse Antonio Carlos Mesquita, sócio-proprietário do hospital. Segundo Mesquita, os 12 sócios do hospital se cotizaram e pagaram toda a dívida. O fechamento é temporário, até que se decida o que será feito com o hospital, salientou.
Os diretores do hospital estão a procura de apoio financeiro com o governo ou através do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), mas até agora não tiveram respaldo. Queremos reabrir o hospital, mas temos que nos reestruturar para que não dê prejuízo. Somos uma empresa como outra qualquer e não temos nenhum privilégio, disse o diretor clínico e sócio-proprietário do São Lucas, Adel Mamprim. Segundo o médico, 15% do atendimento do hospital é de graça. Isso fora as pessoas que dão o calote mesmo, disse. Os sócios querem obter financiamento subsidiado e isenção de IPTU e ISS.
A prefeitura de Cambé já estava ciente da situação do São Lucas e fez um estudo para transformá-lo em uma maternidade em parceria com a Santa Casa. Segundo o Secretário de Saúde da cidade, Antonio da Silva Freitas, o acerto não evoluiu. Para ele o São Lucas não é um hospital de referência de SUS e a prefeitura não pode ajudar financeiramente hospitais que não sejam públicos ou filantrópicos. A saída para o São Lucas é uma briga orçamentária, disse Freitas. Já o diretor clínico do São Lucas disse que não recebeu nenhuma proposta prática da prefeitura. Não recebemos propostas de locação ou venda do hospital. E também não queremos dar de graça nossas estruturas, disse.
O secretário municipal de Saúde de Cambé informou que o governo estadual só participa com 3% do orçamento para a saúde, fornecendo remédios e equipamentos. Precisamos também do apoio dos governos federal e estadual. Para Cambé, o total de verbas destinado é de R$ 75 mil por mês, dado pelo governo federal, dos 10% do orçamento da nação. Só para o pronto-socorro da Santa Casa repassamos R$ 25 mil. O restante serve para custear os 10 postos de saúde da cidade. O governo do Estado tem que colaborar com um pouco mais, afirmou.


