Crise fecha clube de Campo Mourão
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quarta-feira, 28 de abril de 1999
Sid Sauer 
O Clube Recreativo Mourãoense, um dos três tradicionais de Campo Mourão, fechou as portas ontem e não tem prazo para reabri-las. A decisão foi tomada anteontem à tarde e só será revogada depois que o clube conseguir cerca de R$ 50 mil para pagar salários e encargos atrasados. No total, as dívidas do clube chegam a R$ 100 mil. Não tivemos outra saída, alega o presidente Jairo Padilha, que está no cargo há quatro meses. Temos atualmente uma despesa diária de R$ 500,00 e uma arrecadação de apenas R$ 200,00, ressalta Padilha. Ele diz que a suspensão de todas as atividades é uma medida drástica, mas necessária para sensibilizar os associados. Estávamos tentando outras formas de arrecadar dinheiro, mas elas não deram certo, conta.
As promoções feitas desde o início do ano, por exemplo, não deram o resultado esperado, incluindo uma campanha para atrair novos sócios. Segundo Padilha, o clube só vai poder reabrir as portas se os associados aderirem a uma chamada de capital. Basta que cada um pague R$ 150,00, mesmo que seja parcelado, para sairmos dessa situação, explica.
A chamada de capital, no entanto, já está aprovada desde o início do mês, mas até ontem só tinha atraído quatro dos mais de 800 sócios, entre remidos e contribuintes. A mensalidade do clube custa R$ 25,00 e a inadimplência é de 70%. Padilha admite que a suspensão das atividades do clube pode aumentar ainda mais o número de sócios sem pagar as mensalidades. Sabemos que é uma faca de dois gumes, mas acreditamos na sensibilização dos associados. O clube vai demitir os 23 funcionários, que têm salários atrasados desde dezembro, e, quando reabrir, deverá recontratar apenas 10. O presidente também admite que os recontratados poderão ter salários reduzidos.
Fundado em 1965, o Clube Mourãoense é um dos mais tradicionais de Campo Mourão. Ele é o único da cidade que conta com duas sedes - uma social, no centro, e outra campestre, na saída para Guarapuava. O clube chegou a ter mais de dois mil associados há cerca de três anos, mas atualmente são apenas 376 remidos e 466 contribuintes. Tentamos atrair novos associados, mas não conseguimos mais do que 100, lamenta o presidente. Apesar do fim das atividades por tempo indeterminado, o presidente nega que o clube possa falir. Nosso patrimônio é muito grande, frisa. Somente a sede social vale pelo menos três vezes o valor das nossas dívidas. A hipótese da venda da sede social chegou a ser discutida, mas isso não está nos planos da diretoria. Vender a sede também não seria nada fácil. Campo Mourão já tem vários prédios grandes que estão sem uso, completa.


