Marcelo AlmeidaPrédios com várias placas de ‘‘aluga-se’’ são cada vez mais comuns na paisagem curitibana: ociosidade recorde de imóveis preocupa o mercadoO mercado de locação de imóveis de Curitiba vive hoje sua pior crise, com quase 7.200 apartamentos e casas fechadas à espera de um inquilino. O número é um recorde histórico e supera em 280% a quantia de imóveis disponíveis em julho de 1994. Atualmente, os imóveis ofertados chegam a ficar mais de seis meses ‘pendurados’ nos estoques das imobiliárias, contra um período máximo de 30 dias de espera enfrentado há quatro anos.
A crise, que vem causando grande preocupação entre proprietários de imóveis e de imobiliárias, tem como principal origem a falta de dinheiro da população e a necessidade de reduzir gastos. Os contratos, antes renovados apesar dos reajustes, estão sendo rescindidos em quantidade espantosa. Um levantamento feito pelo Sindicato das Empresas da Construção Civil (Sinduscon) mostra que não houve aumento significativo no volume de construções que pudesse justificar a ociosidade dos imóveis. ‘‘A oferta de novos imóveis continua estável, mas o número de apartamentos para alugar cresce a cada dia’’, afirma o diretor do Sinduscon Eurico Borges dos Reis.
A justificativa para o inchaço do mercado imobiliário é puramente financeira, mas transcende a tentativa de fazer pequenas economias. Segundo o diretor de estatísticas da Associção Paranaense das Administradoras de Imóveis (Apadi), Paulo Fraresso, a questão não é mais apenas trocar um imóvel grande, bem localizado e com aluguel caro, por um apartamento menor, distante do Centro e mais barato. No esforço de enxugar despesas, os ex-inquilinos começam a adotar velhas práticas, como voltar a morar na casa dos pais, dividir a casa com parentes e apelar para os amigos na tentativa de se livrar do aluguel.
O vendedor Roni Ribeiro Mendes morava em um apartamento alugado havia mais de um ano, mas resolveu deixar o imóvel há dois meses para morar na casa do sogro. Em vez de pagar aluguel, Mendes resolveu investir o dinheiro na construção da casa própria. ‘‘O aluguel, além de caro, é um dinheiro perdido e não é revertido em nenhum tipo de benefício’’, reclama. ‘‘Nunca mais quero voltar a perder dinheiro.’’
A dona de casa Sônia Farias, que havia alugado um imóvel para seu filho de 21 anos, também decidiu rescindir o contrato de locação para diminuir suas despesas. O filho, Fernando Farias Zezeli, voltou a morar com a mãe, permitindo a economia de R$ 300,00 por mês. ‘‘É um gasto que não vale a pena’’, diz Sônia.
A falta de dinheiro dos inquilinos e a ameaça de ficar com o imóvel fechado já forçaram a redução do valor dos aluguéis. A maioria dos proprietários já aceita reduzir o valor dos contratos atuais, na tentativa de ‘prender’ os inquilinos. Algumas imobiliárias estão até apelando para promoções do estilo ‘more 60 dias, pague 30’ para atrair clientes. ‘‘O raciocínio do mercado agora é outro’’, diz a gerente de locação de uma imobiliária, Sueli Donatto de Souza.

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