Os haitianos que estão no Brasil para fugir da pobreza na terra natal estão procurando auxílio da Cáritas Arquidiocesana de Londrina com maior frequência. A situação deles é agravada pela crise econômica pela qual passa o País. Com isso, muitos têm enfrentado dificuldades para fazer remessas de dólares para os parentes que ficaram na nação da América Central.
É o caso de Doudy Olivier, de 24 anos, que trabalha em uma abatedouro de frangos em Rolândia (Região Metropolitana de Londrina). Ele está há nove meses no Brasil, mas viu sua situação econômica ficar mais difícil com a alta do dólar. "Me falaram que antes a cotação estava bem melhor e era mais fácil enviar dinheiro. Agora tenho que economizar mais para enviar os mesmos 100 dólares que enviava no começo. Tenho esposa e dois filhos que ainda estão no Haiti. Eles só estão esperando que eu consiga a minha documentação definitiva para poder trazê-los para cá. Mas o preço da passagem subiu muito e terei que economizar mais", declarou. Ele destacou que, mesmo sendo católico, neste Natal não fará nenhuma festa ou celebração especial. "Não tenho dinheiro para comemorações. Só farei festa quando for o meu aniversário", declarou.
Olivier mora com outros três conterrâneos em uma casa em Rolândia, para dividir as despesas. Amigos que vieram ao Brasil antes dele contaram para ele que o País é um lugar bom de viver, o que foi determinante para sua vinda. Natural da cidade de Trou-du-Nord, localizada no nordeste do Haiti, com uma população de pouco mais de 37 mil habitantes, ele elogiou o País. "Gosto daqui. Não senti tantas diferenças em relação ao Haiti. Cheguei a me mudar para a República Dominicana quando tinha 16 anos, depois voltei ao Haiti para trabalhar como taxista. Voltei à República Dominicana novamente, quando decidi me mudar para o Brasil", relatou. "Lá no Acre fui a um lugar que atende estrangeiros e peguei um ônibus para ir a São Paulo. Só depois vim para o Paraná. Levei 11 dias para viajar do Acre até aqui", relatou.
Já Luma Belizaire, de 25 anos, trabalha no mesmo ramo, em Jaguapitã (Região Metropolitana de Londrina). Solteiro, ele destacou que seu Natal será apenas com Deus. "Vou passar bem esse Natal", projetou. Belizaire também é católico e destacou que tem usado o Facebook para se comunicar com os parentes que ficaram no Haiti. "Eu tenho um irmão que também pretende vir ao Brasil", contou. Ele está há um ano no Brasil e diz gostar daqui porque os brasileiros respeitam as pessoas. Questionado se há alguma coisa que não gostou no Brasil, ele disse que até agora não há nada que não tenha gostado. "A única coisa que foi difícil para me adaptar foi a comida, mas fora isso, nada mais", declarou.
No dia 11 de novembro, o governo brasileiro assinou um ato que beneficia todos os haitianos que entraram no País pelo Acre a partir de 2010 e não se encontram na condição de refugiados. A medida pode garantir a residência permanente a 43,7 mil haitianos que estão no Brasil. Eles têm um ano de prazo para solicitar essa autorização junto à Polícia Federal. Segundo a Polícia Federal, 50% dos solicitantes têm entre 18 e 30 anos.
A coordenadora executiva da Cáritas em Londrina, Márcia Ponce, destacou que a entidade tem trabalhado com a questão migratória desde a sua fundação. "No ano que vem, em 2016, vamos fazer 20 anos de atuação dentro de nossa arquidiocese", declarou. Ela destacou que esses imigrantes chegam a Londrina já com alguma indicação de trabalho, seja de parentes ou de amigos. "Eles arriscam e vêm. Quando chegam aqui, fazem esse processo pela Polícia Federal, registram um protocolo e dali já podem sair com a carteira profissional e o CPF, dois documentos que possibilitam que eles possam trabalhar", explicou.
Ela destacou que toda migração é um processo complicado. "A pessoa quebra os seus vínculos e se afasta da família. Isso causa muita dor, angústia e depressão. Muitos passam a morar com até 15 pessoas na mesma casa", destacou. Márcia Ponce relatou também que alguns estão perdendo o emprego devido à crise econômica e que há muitas haitianas gestantes que não têm recursos nem para comprar um berço. "Estamos recebendo doações. Mas também precisamos de recursos para custear as despesas com as taxas que são cobradas, fotocópias, entre outras despesas burocráticas", enumerou. Quem quiser contribuir pode fazer depósito de qualquer valor no Sicoob (conta corrente 6.794-6 - agência 4.355).

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