Simone Mattos
De Curitiba
O desespero de uma dona de casa, cujo marido está desempregado há dez meses, fez com que ela tomasse uma decisão ousada. I.A.D.T, 35 anos, publicou na seção de classificados de dois jornais locais um anúncio oferecendo a sua barriga para aluguel. Mãe de um casal de adolescentes, ela se justifica dizendo que ‘‘não vê outra alternativa’’.
Sem querer se identificar, ela alega que sente muita vergonha de sua situação. Seu marido era gerente de supermercado, mas não consegue mais voltar ao mercado de trabalho. ‘‘Ele está procurando serviço em qualquer área, mas está muito difícil’’, diz. I. acompanhou pela televisão casos semelhantes ao seu, em que mulheres se tornavam mães de aluguel para casais que não conseguiam ter filhos, e decidiu fazer o mesmo.
Totalmente desinformada sobre o procedimento médico utilizado nesses casos, ela confessa não fazer idéia a que teria que se submeter, caso fosse contratada. ‘‘O casal interessado é que iria correr atrás de médico, hospital e estas coisas. Eu não sei direito como é que funciona’’, declara.
Ela diz acreditar que não se apegaria ao bebê gerado em sua barriga e que seria fácil entregá-lo ao casal. ‘‘Já perdi uma filha logo após o parto e a dor não seria pior desta vez’’, afirma.
Segundo informa, as dificuldades econômicas em sua família chegaram ao limite e não há mais a que recorrer. I. não pode trabalhar fora porque cuida da avó idosa e doente durante todo o dia. O filho, de 16 anos, estudante do ensino médio da rede pública, também está procurando emprego, mas não consegue encontrar.
A família mora no bairro São Lourenço, numa pequena casa construída nos fundos do terreno que pertence à mãe de I. Ela conta que o marido e o filho não foram contra a idéia da barriga de aluguel e apoiaram a decisão. ‘‘A minha filha é que reclamou bastante e disse que eu estava fazendo comércio, tratando um bebê como se fosse um objeto’’, comenta.
O preço inicial cobrado pelo aluguel seria de R$ 25 mil, mas ela avisa que pode diminuir o valor até R$ 15 mil. Segundo I., é difícil conseguir fechar este tipo de negócio, apesar da grande quantidade de telefonemas que tem recebido. ‘‘Muitos ligam só para brincar, passam trotes falando besteira’’, reclama.
I. conta que algumas conhecidas suas estão passando pelas mesmas dificuldades econômicas e também já pensam em fazer o mesmo. Recentemente, cinco casos de barriga de aluguel foram registrados na cidade de Cascavel (PR) e outros dois em Curitiba.

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