A crise econômica e, por consequência, o crescimento do desemprego, são responsáveis pelo aumento no número de atendimentos no Conselho da Condição Feminina, entidade de Curitiba, cujo trabalho é voltado ao auxílio de mulheres em situações de violência. A avaliação é da presidente do conselho, Isabel Kugler Mendes. De janeiro a 15 de novembro deste ano, o conselho realizou 7,7 mil atendimentos. Durante todo o ano passado foram 5,7 mil.
''Desempregado, o homem fica mais violento. Em casa fica ocioso e por motivos banais, acaba agredindo a mulher'', explicou Isabel. Ela destacou que, este ano, o perfil de mulheres assistidas pelo conselho também mudou pelos mesmos motivos. ''Antes eram pessoas de classe baixa. Agora, estão incluídas em nossa clientela, mulheres de classe média, geralmente profissionais liberais, que perderam o emprego e são espancadas pelos maridos'', contou.
A demanda no setor jurídico da entidade, responsável por separações de casais e investigações de paternidade, dobrou este ano com relação a 2000. Até meados de novembro foram 4.156 atendimentos. Durante todo o ano passado, 2,8 mil. No Departamento de Integração Social (onde há os encaminhamentos para psicólogas ou assistentes sociais) a procura também aumentou. Este ano 2,8 mil pessoas foram encaminhadas, enquanto que em 2000, 2,1 mil.
Desde a sua criação em 1984, o conselho já auxiliou mais de 78 mil pessoas. A entidade atua em casos de conflitos familiares. As advogadas, psicólogas e assistentes sociais do conselho são todas voluntárias. Outros 13 funcionários são mantidos pela prefeitura.

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