Crise diminui frequência de alunos
A Escola Oficina de Londrina atende normalmente 120 crianças e adolescentes em situação de risco. Mas os funcionários e os próprios alunos dizem que a frequência tem diminuído desde o afastamento do coordenador geral, Márcio de Jesus Filla, no final do mês passado.
Ontem de manhã, alguns alunos estavam praticando esportes enquanto outros estavam nas várias oficinas do estabelecimento. A educadora Eni Barbosa diz que a situação está complicada desde a saída de Márcio Filla e que os funcionários têm tido dificuldades para controlar os alunos. ‘‘Eu mesma estou chocada com o que acontece’’, observa.
Eni Barbosa teme que, com esta confusão, as crianças voltem a frequentar as ruas. ‘‘Está difícil para nós que somos funcionários entendermos, imagine então para elas’’, reclama. Um outro funcionário diz que a primeira coisa que os alunos perguntam quando chegam à escola é quando Márcio Filla voltará.
‘‘É uma barbaridade o que estão fazendo, tiraram o nosso pai daqui’’, afirma Anderson Carlos da Silva, 17 anos, morador do Jardim União da Vitória (zona sul). Ele conta que está na Escola Oficina há quatro anos e informa que antes ficava nas ruas ‘‘bagunçando’’. Revela que já foi detido duas vezes pela polícia.
Anderson da Silva diz gostar de Márcio Filla porque ele entende os meninos de rua. ‘‘Com ele aqui, ninguém faz bagunça.’’ O rapaz explica que continua frequentando a Escola Oficina na esperança de que o ex-coordenador volte.
Outro aluno que defende a volta de Márcio Filla é Everton Luis dos Santos, 14 anos. Ele vai à escola há cerca de cinco anos e hoje, além de participar das oficinas, estuda. ‘‘Aqui aprendi a respeitar mais as pessoas.’’
‘‘Todo mundo quer a volta dele porque ele ajuda bastante’’, afirma Debora Marcia de Jesus, 16 anos. Ela mora no conjunto Violin (zona norte) e diz que depois que passou a frequentar a Escola Oficina, há cerca de dois anos, aprendeu ‘‘muita coisa’’. ‘‘Estou aprendendo a ser auxiliar de cabeleireiro.’’

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