Kraw PenasO desempregado Luiz Felício realizou um sonho num brechó: comprar um terno de lã para o casamento da irmãOs brechós têm se tornado uma opção para quem precisa comprar roupas para o frio e enfrenta a crise econômica. Enquanto as lojas normais começam a colocar a coleção de inverno na vitrine, as lojas de roupas usadas importadas já sentem o crescimento nas vendas. A diferença de preço explica a procura, pois uma jaqueta que custa no mínimo R$ 100 nos shoppings pode ser comprada por R$ 30 num brechó.
O desempregado Luiz Felício, 23 anos, nunca sonhou em comprar um terno de lã para ir ao casamento da irmã no próximo dia 9. A família pesquisou preços e concluiu que não poderia comprar roupa nova para todos. Talvez para nenhum deles. A pesquisa passou então para os brechós da cidade e foi um deles que vestiu toda a família da noiva. Luiz Felício encontrou um terno de lã americano semi-novo por R$ 40. ‘‘Ele está ótimo. Não costumo usar terno, mas depois do casamento vou usar este’’, afirma.
Almira Pires Bueno é uma trabalhadora informal, vende roupas em sua própria casa. Mas na hora de vestir a família recorre ao supermercado de roupas semi-novas importadas. ‘‘Semana passada gastei R$ 300 aqui e vesti toda a família. Se fosse nas lojas por aí eu não compraria nem a metade’’, afirma. Almira Bueno exibe uma blusa que acabou de experimentar, vai comprá-la por R$ 2 e diz que numa loja comum pagaria, no mínimo, R$ 25. ‘‘Dá até para comprar casaco de pele. Já imaginou?’’, brinca.
Mas muita gente não têm condições de comprar roupas quentes, nem mesmo nos brexós. Este ano a Campanha do Agasalho, que deve ser lançada na próxima terça-feira, espera arrecadar 100 mil peças só em Curitiba, e mais 60 toneladas de roupas e 30 mil cobertores em todo o Estado. A campanha do agasalho era feita tradicionalmente pelo Bamerindus até 95, atendendo a 2,5 mil instituições, e foi interrompida quando o banco foi vendido. No ano passado, o Provopar retomou a realização da campanha arrecadando 25 mil cobertores, três mil acolchoados e 700 sacos de roupas, sem grande divulgação nos meios de comunicação.
Este ano, a campanha vai ganhar o reforço de patrocinadores e de todas as primeiras damas do Estado. Drogamed, Carrefour, Positivo e Banestado vão arrecadar as doações, totalizando mais de 400 pontos de coleta em todo o Estado. A Mercer Comunicação e Marketing criou a campanha gratuitamente. O concurso Top Models Pernambucanas, que arrecadou 30 mil peças no ano passado, desta vez deve receber a doação de 100 mil peças em Curitiba. As concorrentes doam 10 peças para se inscrever e o ingresso para assistir as três eliminatórias também é a doação de um agasalho.(MK)

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