A crise econômica atingiu as entidades assistenciais que dependem de doações para manter as atividades. Para equilibrar as contas, o jeito é apertar o cinto, cortar gastos e economizar. Em algumas instituições, o volume de doações caiu em torno de 30% nos últimos meses e as entidades buscam estratégias para conquistar a solidariedade das pessoas, principalmente em novembro e dezembro, quando as despesas com folha de pagamento aumentam em função do pagamento do 13º salário e da férias.
"A crise, o aumento da inflação e o desemprego estão gerando uma série de problemas na nossa central de captação de recursos. Quem doava R$ 30 por mês reduziu para R$ 15. Quem doava todo mês, agora está fazendo esporadicamente. A nossa central sentiu uma redução entre 15% e 30% nas doações", disse Edson Pires, da comissão de intervenção da Apae de Londrina.

Crise atinge entidades sociais
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A associação está trabalhando com recursos governamentais, que muitas vezes chegam com atraso. "Estamos trabalhando na reserva para manter o pessoal e evitar fazer dispensas", contou Pires. Para reduzir custos, a Apae faz campanhas junto aos funcionários para economizar energia elétrica, água, gás, material de escritório.
De acordo com o interventor, a entidade está renegociando com a Prefeitura os valores repassados para a educação. "Renovamos o convênio de Educação e conseguimos que o município faça, ano que vem, um estudo para melhorar o valor repassado por aluno", explicou Pires. Ele afirmou que o valor pago por aluno não tem reajuste desde 2004. A Apae também fechou um convênio com a Prefeitura na área da saúde, que vai garantir recursos para a entidade.
Esses convênios vão permitir que a entidade continue os trabalho em 2016, mas terá que frear investimentos. A construção de dois módulos será revista. O módulo que irá abrigar a secretaria e a administração ficará em stand by e o módulo com refeitório, padaria e sala de aula será concluído em parte.
As equipes da central de captação de recursos estão fazendo um trabalho de reforço da necessidade de doação neste fim de ano, mas a perspectiva não é muito animadora. "Estamos tentando aumentar as doações, mas este ano vai ser difícil", disse Pires.
O Lar Anália Franco fará em dezembro um saldão de móveis e utensílios para tentar arrecadar dinheiro para pagar as contas da instituição. As vendas no bazar permanente e as doações em dinheiro são as principais fontes de receita. E ambas estão em queda. "Com a crise as pessoas estão deixando de se desfazer dos móveis e utensílios e isso vem segurando a troca. Percebemos uma queda entre 30% e 35% tanto na venda como nas doações em dinheiro", afirmou Angelo Pamplona, presidente do Lar Anália Franco.
A entidade tem 80 funcionários e atende 240 crianças e adolescentes. São 190 crianças de 1 a 5 anos no Centro de Educação Infantil (CEI) e 46 abrigadas (crianças em situação de risco que foram retiradas das famílias), que moram no Lar. A folha de pagamento é dividida entre recursos do convênio com a Prefeitura de Londrina e dinheiro próprio. "O final de ano é sempre o momento de alavancarmos dinheiro para a folha de pagamento, mas este ano está complicado. Para equilibrar as contas estamos fazendo economia de guerra", frisou Pamplona.
A preocupação da entidade é com a continuidade da crise no ano que vem. Segundo o presidente, os recursos provenientes do município não cobrem todas as despesas da entidade. "É uma verba carimbada, com destino de uso certo. Se a crise se estender não teremos recursos para cobrir as despesas", ressaltou.
Ano que vem as despesas com folha de pagamento devem aumentar. Um reordenamento das atividades de mães sociais vai impactar nas contas. "Este reordenamento prevê, entre outras coisas, um limite de número de abrigados por mãe social. A nossa necessidade é de 19 mães sociais, para termos uma escala de folga. Estamos perto deste número. Temos algumas vagas", explicou Pamplona.
REFLEXOS
A estrutura da Legião da Boa Vontade (LBV) de Londrina é para atender 200 crianças por dia, mas hoje são atendidas apenas 140. E não há perspectiva de aumentar esse número de atendimentos. Assim como não será implementado um programa de aprendizado voltado para adolescentes. Esses são reflexos da crise. A entidade que conta com 100% de recursos provenientes de doações de empresas e pessoas físicas está sentindo a retração econômica. "A doação é sempre a primeira coisa a ser cortada", comentou Kléber Francisco Maricato, gerente administrativo da LBV Londrina.
Segundo Maricato, a entidade está trabalhando com o mesmo volume de recursos do ano passado, mas tem que lidar com os reajustes da conta de luz, água e salários. "Não é suficiente para manter os atendimentos. A nossa estratégia tem sido segurar custos. Apagar as luzes, desligar o ar-condicionado. Estamos trabalhando no amarelo. A perspectiva é de normalização em 2018", disse.
A entidade está com campanha de Natal para arrecadação de alimentos para doação de cestas básicas às famílias atendidas aos longo do ano e de brinquedos. A LBV atende crianças e adolescentes no contraturno no projeto "Criança do futuro no presente" e também atende grupos de idosos que participam de oficinas de artesanato, palestras e passeios.

SERVIÇO

Como ajudar as entidades

Lar Anália Franco
Doações de móveis, utensílios e dinheiro podem ser feitas pelo telefone (43) 3325-8060

LBV
Doações podem ser feitas pelo 0800-055-5099 ou pelo site www.lbv.org

Apae
Central de Captação de Recursos: (43) 3305-5935


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Anderson Coelho


Vendas no bazar permanente e doações em dinheiro são as principais fontes de receita do Lar Anália Franco

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