A crise política no Paraguai chegou a ameaçar a Copa América, principal competição esportiva programada para este ano no continente. Pela primeira vez na história, o país vai sediar a competição, que reúne 11 das principais seleções americanas, além do Japão, que participa como convidado.
Além da instabilidade natural gerada pela crise, a política teve uma influência ainda maior sobre a Copa América. O coordenador geral do Comitê Organizador era, até há duas semanas, ninguém menos que o general golpista Lino Oviedo - pivô de toda a crise institucional. Oviedo foi indicado para o cargo pelo presidente da Liga Paraguaia de Futebol, Oscar Harrison.
Após o assassinato do vice-presidente Luis María Arga¤a, crime que tem em Oviedo o principal acusado, a Liga destituiu o general do cargo de coordenador da Copa América. Ao mesmo tempo, a Confederação Sul-Americana de Futebol, sediada em Assunção, se apressou em confirmar o país como sede do torneio, apesar da momentânea instabilidade política.
A saída de Oviedo pode trazer de volta à seleção paraguaia o goleiro José Luis Chilavert. Ídolo nacional, Chilavert ameaçava não defender a seleção no torneio enquanto o general, a quem ele acusava de ser ‘‘antidemocrata’’, estivesse na organização. Na semana passada, jornais de Assunção já especulavam um possível retorno de Chilavert à equipe.
A Copa América será realizada entre os dias 29 de junho e 18 de julho. O país está construindo um estádio (em Ciudad del Este, na fronteira com Foz do Iguaçu) e reformando outros três (Assunção, Luque e Pedro Juan Cabbalero) para sediar a competição. Em Ciudad del Este, serão realizados os jogos do grupo B, integrado por Brasil, Chile, México e Venezuela. (V.D.)

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