Crise afeta projeto de apadrinhamento
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segunda-feira, 17 de julho de 2017
Simoni Saris<br>Reportagem Local 
A crise financeira no Brasil não afeta somente comércios e empresas. O projeto de apadrinhamento Abrace um Futuro, da 1ª Vara da Infância e Juventude de Londrina, também sofre com a recessão. Nos últimos meses, os organizadores da iniciativa perceberam uma redução no número de padrinhos dispostos a doarem serviços e materiais e a solução foi diminuir a demanda. Assim, consultas com psicólogos e fonoaudiólogos, por exemplo, acabam sendo proteladas.
O projeto Abrace um Futuro foi criado em 2015 pela Vara da Infância e Juventude de Londrina e surgiu da necessidade de aproximar a comunidade de crianças e adolescentes em situação de acolhimento. O apadrinhamento mais conhecido é o afetivo, quando famílias proporcionam aos seus afilhados a convivência familiar. Nessa modalidade, os apadrinhados passam finais de semana e datas comemorativas na companhia da família acolhedora, criam laços afetivos e encontram nos padrinhos a referência familiar que lhes falta na instituição, sem o objetivo da adoção.
Mas há outras formas de auxiliar as crianças e adolescentes que foram afastadas de suas famílias biológicas e hoje vivem em casas de acolhimento. O apadrinhamento pode ser de serviços, quando profissionais doam consultas médicas e oferecem cursos, por exemplo; de materiais, quando é feita a doação de itens como roupas, calçados, alimentos e materiais escolares; ou de aprendizagem, na qual os apadrinhados são encaminhados para capacitação para o mercado de trabalho.
"Estamos com muita dificuldade de conseguir esses apadrinhamentos. Precisamos muito de fonoaudiólogos porque no município não tem esse serviço e temos muitas crianças portadoras de deficiência que precisam de fonoaudiólogos ou crianças muito pequenininhas que não tiveram estimulação e chegam no acolhimento com problemas de fala", disse a juíza da 1ª Vara da Infância e Juventude de Londrina, Camila Tereza Gutzlaff Cardoso.
Segundo a juíza, a crise econômica foi um fator determinante para a redução do número de padrinhos. "Tínhamos padrinhos que pagavam psicólogos ou mesmo psicólogos que davam desconto para atender as crianças, mas com a crise diminuiu bastante esse tipo de apadrinhamento."
A escassez de recursos, afirmou a juíza, afeta também o NAE (Núcleo de Apoio Especializado à Criança e ao Adolescente), idealizador do projeto e que atualmente enfrenta problemas de pessoal. "O NAE faz o atendimento com psicólogos e assistentes sociais, concretiza as parcerias e faz as oficinas de apadrinhamento só que nesses últimos meses a gente teve uma redução muito grande. Algumas profissionais pediram exoneração, quatro se aposentaram e várias estão doentes; então a gente está com poucos profissionais, o que está dificultando os nossos projetos", afirmou. "O projeto não corre risco de acabar, mas a gente está diminuindo a demanda."
Psicóloga do NAE, Vivian Morete concorda que a estrutura reduzida prejudica o trabalho do núcleo. "A gente tem a intenção de aumentar a divulgação, mas estamos com uma equipe reduzida para esse projeto e não temos condições de estabelecer mais ações. As pessoas chegam, nós encaminhamos, mas o desenvolvimento e a divulgação estão fragilizados pelo reduzido número de membros. Esse é o fator limitante."
Núcleo aproxima padrinhos de afilhados
Quem tiver interesse em apadrinhar uma criança ou adolescente deve entrar em contato com o NAE (Núcleo de Apoio Especializado à Criança e ao Adolescente), pelos telefones (43) 3572-3340 e 3572-3709 ou pelo e-mail [email protected]. Há também um site (www.abraceumfuturo.com.br) com informações sobre o projeto e as formas de colaborar.
O NAE atua na recepção dos padrinhos e na interlocução com as instituições de acolhimento. No caso do apadrinhamento afetivo, o núcleo orienta sobre como funciona e como o interessado deve proceder, além de ministrar a oficina de preparação. É o NAE também que cuida de toda a documentação.
A juíza da 1ª Vara da Infância e Juventude de Londrina, Camila Tereza Gutzlaff Cardoso, lembra que uma das maiores dificuldades do projeto é conseguir empresas que possam oferecer uma oportunidade de aprendizagem a adolescentes com menor grau de estudo, inclusive para aqueles acima dos 18 anos, que atingem a maioridade vivendo nas instituições de acolhimento. "No acolhimento eles frequentam a escola, mas são crianças e adolescentes que já vieram das ruas. Alguns não conseguem acompanhar. Depois da sexta série, é muito difícil eles ficarem na escola, quase todos abandonam os estudos", disse a juíza.


