Crise afeta interesse por idiomas
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segunda-feira, 05 de setembro de 2011
Vítor Ogawa <br> Reportagem Local 
O interesse pelo aprendizado de um idioma tem oscilado com as crises da Europa, dos Estados Unidos e do Japão, tanto positivamente como negativamente. De acordo com a professora de japonês da Escola Modelo da Aliança Cultural Brasil-Japão do Paraná, Naomi Saiki, o terremoto e o tsunami que atingiram o Nordeste do Japão e que provocaram uma tragédia nuclear fizeram com que o interesse pelo aprendizado do idioma diminuísse. Ela conta que o número de inscritos para o exame de proficiência no idioma caiu de 530 para 421 pessoas. ''Há dekasseguis que retornaram ao Brasil com a crise econômica devido aos baixos salários com a diminuição do trabalho por lá'', comenta. Ela explica que os ganhos reduzidos geram uma diminuição do interesse pelo idioma no Brasil.
A professora afirma que a maioria dos que se increveram para o exame é estudante que sonha com uma pós-graduação no Japão. ''Mas existem aqueles mais velhos que querem prestar o exame somente para testar em que nível estão, para checar os seus conhecimentos'', comenta.
Para Roger Ohara, coordenador do Instituto Cultural Brasil-Estados Unidos, a crise nos Estados Unidos até ajudou a aumentar o número de alunos que procuram exames de proficiência na língua inglesa. ou um doutorado fora do País. ''Nós oferecemos dois exames de proficiência aqui, o Toefl, certificação que a maioria das universidades americanas pede, e o Michigan, que é requisitado pela universidade de Michigan'', conta.
A diretora pedagógica da Aliança Francesa conta que percebeu uma queda de alunos, mas não sabe identificar se foi a crise na Europa que determinou isso. ''Nós percebemos uma diminuição em torno de 10% no número de estudantes inscritos'', afirma. Ela conta que a maioria das pessoas que procura os cursos do idioma francês tem objetivo de realizar intercâmbio ou fazer uma pós-graduação na França. ''Mas existem aqueles que querem migrar para Quebec, no Canadá''.
A diretora da Escola Hispano, Maria Helena Rodrigues Carvalho, conta que o espanhol não tem sido afetado pelas crises na Europa porque o próprio mercado interno exige o conhecimento do idioma. Ela diz que existem pessoas procurando fazer doutorado na Argentina. ''A gente busca atender essas pessoas que realizam o Dele, exame de proficiência em espanhol, que é aplicado em cidades como Marília e Curitiba'', conta. Ela diz que as pessoas que realizaram o mestrado no Brasil e adotaram o inglês como segundo idioma, ao tentar ingressar no doutorado, optam pelo espanhol pela proximidade da língua.
A crise não intimidou a estudante Fernanda Azevedo, 16 anos, que estuda vários idiomas com o objetivo de tornar-se tradutora. ''Eu estudo inglês, japonês, espanhol e quero aprender o máximo de línguas que puder, como o coreano, o chinês, o italiano e o russo'', conta. Ela diz que seu maior objetivo é poder viajar pelo mundo inteiro. ''Tenho facilidade de aprender idiomas e quero isso como profissão'', conta.


