A partir de segunda-feira, o Hospital Universitário (HU) de Londrina irá fechar a Central de Tratamento de Queimados (CTQ) e restringir o atendimento no Pronto-Socorro. A decisão foi tomada em razão da falta de servidores para suprir toda a demanda. Hoje, o HU tem um deficit de 344 funcionários e será necessário fazer um remanejamento de pessoal para manter o atendimento aos usuários de outros setores da unidade. Na CTQ, apenas os pacientes já internados continuarão sendo assistidos. Novos internamentos serão suspensos sem data para retorno. No PS, somente pacientes encaminhados pelo Siate e Samu serão recebidos. O anúncio foi feito ontem pela reitora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Berenice Jordão, e pela superintendente do HU, Elizabeth Ursi.
As medidas serão mantidas até que o quadro de funcionários seja restabelecido, segundo a reitora. "Sabemos da responsabilidade que isso representa, mas essa decisão foi tomada após inúmeras tentativas de recompor o quadro de servidores", disse Berenice. As 344 vagas em aberto representam 15% dos funcionários do hospital (cerca de 2.290) e a projeção é de que se a demora na reposição de servidores continuar, em 2019 o deficit chegue a 38%.
"A UEL funciona como universidade há 44 anos. Tem servidores que trabalham desde o início. Também há uma grande quantidade de servidores que vem se aposentando, vem aumentando o número de mortes e exonerações. São reposições previstas em lei e que deveriam ser automaticamente repostas, mas a velocidade da reposição é bastante diferente da velocidade da abertura de vagas", destacou a reitora. A falta de servidores, ressaltou ela, atinge todos os setores e gera sobrecarga de trabalho aos funcionários.

OCUPADOS
Inaugurada em agosto de 2007, a CTQ tem 16 leitos entre terapia intensiva e internação. Ontem, todos eles estavam ocupados. A reabertura da central, adiantou Berenice, depende da formação das equipes "minimamente necessárias" para a manutenção dos serviços dos leitos hospitalares.
O HU mantém hoje 306 leitos no total. "Nosso atendimento está bastante prejudicado. Para que o serviço não seja pior, temos que fazer uma redução dos serviços oferecidos."
Enquanto o atendimento a queimados não é retomado, o único serviço disponível no Estado é a Ala de Queimados do Hospital Universitário Evangélico de Curitiba, que também sofre com a superlotação. Ontem, os 39 leitos estavam ocupados e por falta de vagas, quatro pacientes vítimas de queimadura em estado grave estavam internados na UTI 2, que não é especializada nesse tipo de atendimento.
Com a restrição de atendimento no PS, os pacientes que não forem encaminhados pelo Siate e Samu deverão recorrer às unidades de saúde da rede municipal.

MOVIMENTAÇÃO
"Houve toda uma movimentação administrativa e política ao longo de mais de um ano. Tentamos evitar que esse dia chegasse. Nenhum administrador gosta de reduzir ou interromper serviços prestados, ainda mais quando é serviço de saúde, mas estamos fazendo isso com relativa segurança", disse a superintendente do HU.
Segundo ela, 60% dos pacientes que chegam ao PS são procura direta e desses, 98% são classificados como de baixíssimo ou baixo risco e devem ser atendidos em unidades de baixa complexidade. "Os hospitais terciários devem atender pacientes graves. Se interrompermos o atendimento de procura direta, vai impactar menos. Temos mantido mais de 100 pacientes ao dia no PS para 47 leitos de retaguarda", destacou.
Sobre o fechamento do CTQ, a superintendente entende que são pacientes que representam um quantitativo menor se comparados com traumas graves e afecções cardíacas, por exemplo. Atualmente, o CTQ tem 85 servidores, entre médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, psicólogos e técnicos de enfermagem.
A reitora informou que desde 2014 há 195 servidores em condições de serem nomeados. Entre eles, 92 irão atender no HU. Um deles espera ser chamado desde 2008. "No entanto, não podemos ter a nomeação realizada porque ela não pode ser interna. Só o (governador Beto) Richa pode fazer a nomeação", explicou. Além dos 195 servidores prontos para serem convocados, a reitora destacou que há outros aprovados em concurso, mas que para serem nomeados ainda falta a finalização do processo.
"Para a maioria das categorias, o concurso está pronto ou foi realizado em 2015. O ideal seria não somente nomear, mas repor automaticamente essas vagas. Precisaria ocorrer a anuência de vaga, que é o reconhecimento formal de que a vaga está aberta, o que reduziria o prazo para reposição de funcionários. As vagas ficariam abertas de 45 a 60 dias", disse Elizabeth. Somente neste mês, informou, cinco vagas foram abertas, sendo quatro por aposentadorias e uma por morte. "O último servidor empossado foi em 2013. A última anuência de vaga aconteceu em outubro de 2014."

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