Paulo Ubiratan
O Instituto de Criminalística de Londrina começou a utilizar o programa para computador, desenvolvido pelo Serviço de Inteligência de Israel (Mossad), que detecta mentiras em depoimentos de suspeitos e testemunhas de crimes em todo o Paraná. O programa foi comprado com verba dos próprios funcionários do instituto e é o único software para este fim em operação no Estado. Segundo os peritos criminais, antes de entrar oficialmente em funcionamento foram testadas pelo sistema por volta de cem pessoas das mais variadas escolaridades, idades e profissões.
Na semana passada, três envolvidos em um homicídio, seguido de suicídio, em Curitiba se submeteram aos primeiros testes oficiais. ‘‘Estas pessoas responderam às perguntas espontaneamente e, pelo que detectou o aparelho, mostraram-se inocentes. A polícia depois confirmou que eles haviam dito a verdade’’, afirmou o perito-criminal, Daniel Felipetto.
Felipetto e o perito Geraldo de Oliveira Filho, fizeram os testes nos curitibanos. O perito enfatizou que os testes não servem como provas irrefutáveis, mas a partir de agora servirão para auxiliar as investigações policiais em todo o Estado.
O perito disse que este sistema usado em Londrina é apenas uma parte dos quatros outros módulos desenvolvidos pelo Mossad. ‘‘O programa que estamos aplicando refere-se apenas à voz. A pessoa fala no microfone do computador e o painel monitora todas as variáveis em relação à excitação, estresse e o nervosismo do entrevistado. Simultaneamente, pelos registros do sistema, é possível se observar o entrevistado está dizendo a verdade, sendo irônico ou tentando enganar o sistema’’, explicou Felipetto.
O padrão original possui mais três módulos: um registra o batimento cardiáco, outro a respiração e um outro a sudorese (suor) do entrevistado. O perito disse que o Mossad ainda não liberou estes outros módulos para uso comum. No caso do teste da voz, Felipetto, afirmou que o programa também é confiável. O software se fundamenta nas variações biológicas das cordas vocais mais ou menos irrigadas com sangue. O processo da irrigação depende do estado psíquico do entrevistado, que pode sofrer modificação.

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