Criminalística é modelo, sem dinheiro público
Enquanto as delegacias enfrentam dificuldades com a falta de estrutura, os equipamentos do Instituto de Criminalística de Londrina estão entre os melhores do País. A aquisição dos aparelhos, no entanto, foi uma iniciativa da associação criada pelos próprios funcionários, sem qualquer verba pública.
O Laboratório de Imagem e Fonética, sediado na cidade, foi o primeiro no Brasil a adquirir um detector de mentiras e um sistema de identificação de criminosos, fotografados ou registrados em vídeo. Até então, a Justiça desconsiderava gravações como prova material. ''Melhoramos a imagem, mostrando muitas vezes o rosto, a arma ou a situação em que ocorreu o crime'', explica o chefe do Setor de Áudio e Vídeo da Criminalística, Daniel Felipetto.
Investigações de outros Estados brasileiros tiveram andamento graças ao auxílio do Instituto de Criminalística de Londrina. Na cidade, um dos principais casos solucionados com a ajuda do laboratório foi a identificação dos assassinos do engenheiro Sergio Onishi. Os assaltantes roubaram o carro da vítima, foram fotografados pela lombada eletrônica e tiveram seus rostos ampliados pelos computador, em 1996.
Felipetto utiliza ainda um detector de mentiras (o Truster), desenvolvido por agentes do Mossad, a polícia secreta de Israel. ''Adquirimos o programa há dois anos. Até então não havia uma equipe que trabalhasse com esse tipo de investigação no Brasil'', comenta o técnico. A maioria dos equipamentos foi comprada com auxílio de doações, convênios e até mesmo com o ''caixinha'' dos próprios funcionários, sem qualquer ajuda do Estado. (E.D.)





