O Instituto de Criminalística de Londrina (ICL) divulga hoje o laudo de reconstituição do sequestro do gerente geral do Banespa, Roberto Melo, e de sua mulher, Andréia Melo, e dos arrombamento de 23 cofres particulares da agência que estavam alugados. O sequestro seguido de assalto começou no dia 9 e terminou no dia 10 deste mês.
Ontem, outras duas pessoas que alugavam cofres procuraram a 10ª Subdivisão Policial (SDP) para prestar queixa. Os prejuízos das duas vítimas somam U$ 50 mil mais R$ 30 mil em jóias. Até ontem 10 vítimas já haviam prestado queixa e o prejuízo deve ultrapassar R$ 1 milhão.
Os nomes das vítimas continuam sendo mantidos em sigilo pelo delegado que preside o inquérito, Márcio Vinícius Ferreira Amaro. Desde ontem, ele passou a guardar os Boletins de Ocorrência (BO) sobre o caso Banespa para evitar que a imprensa tenha acesso aos nomes das vítimas. Este procedimento não é comum. Apenas duas pessoas não fizeram objeção em revelar seus nomes.
O medo das pessoas em verem seus nomes divulgados pode estar relacionado ao fato de não terem como comprovar a origem dos produtos que guardavam nos cofres. O delegado não descartou a possibilidade de, em alguns casos, os dólares, jóias, barras de ouro e prata, que estavam nos cofres arrombados, serem ilícitos.
Porém, em seus depoimentos as pessoas, de acordo com o delegado, declararam que os dólares que tinham eram fruto de venda de imóveis ou economias. De acordo com o contrato firmado individualmente entre o banco e o locatário, os valores guardados nos cofres não são segurados. Segundo o delegado, esta cláusula não tem valor judicial, desde que a pessoa tenha como provar o que tinha guardado no cofre.
Ele cita como provas declaração em imposto de renda, comprovante de venda de imóvel, fotos de jóias. Porém, o delegado afirma que a maioria das pessoas que prestaram queixa não tem como provar o que tinham no cofres – outro indício de que, em alguns casos, os cofres eram utilizados para guardar produtos ilícitos.
A assessoria de imprensa do Banespa em São Paulo afirmou que o banco não iria dar declarações sobre o assalto. A conclusão do inquérito, segundo o delegado, depende de informações da delegacia de São Paulo (ele não quis informar de qual distrito). ‘‘Sabemos que a quadrilha tinha no mínimo 15 homens, que é de São Paulo e que é especializada em assaltos a bancos’’, disse. O retrato falado de um dos integrantes da quadrilha já foi divulgado pela polícia.
A Receita Federal deve começar a investigar as pessoas que alugavam os cofres, a partir de hoje quando o delegado Sérgio Gomes Neves volta de férias.

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