Seis dias depois do acidente que matou dois estudantes e feriu outros 22 no Campus da Universidade Estadual de Londrina (UEL), os peritos do Instituto de Criminalística (IC) já conseguiram fazer duas constatações que podem ser decisivas na apuração das causas da queda da marquise do Anfitetatro do Centro de Estudos Sociais Aplicados (Cesa): havia falhas na fundação do pilar de sustentação e nas especificações dos parafusos de sustentação das hastes da laje. As relações destas falhas com o desabamento, contudo, só poderão ser estabelecidas - ou desfeitas - depois que a perícia conseguir escavar as fundações. Para dar detalhes sobre o serviço de manutenção no prédio, o prefeito do campus, Laerte Matias, será ouvido na próxima segunda-feira à tarde pelo delegado-adjunto da 10Subdivisão Policial, Nélson Águila.
A marquise do anfiteatro desabou na tarde de domingo, atingindo studantes que fazia inscrições para um congresso. João César Bôscoli Rios, 21 anos, morreu na hora. Amanda Lucas Gimeno, 22, não resistiu ao traumatismo craniano e morreu anteontem, no Hospital Universitário (HU). A família autorizou a doação dos órgãos (leia nesta página).
Os peritos do IC já encontraram pequenas diferenças entre as plantas e a execução, além de características que permitem afirmar que há falhas na fundação do pilar que sustentava a marquise. ''O pilar quebrou e torceu. Isso não poderia ter acontecido e aponta para a falha'', explicou o perito-chefe do IC, Daniel Felipetto. ''Era uma estrutura que deveria suportar um peso muito maior do que o da laje. Não poderia quebrar nunca''.
A falta de especificação dos parafusos que fixavam as hastes de sustentação da marquise também foi apontada como uma falha. ''Um dos parafusos se rompeu, e não foi por tração, que seria provocada pela queda da laje'', disse Filipetto. Até ontem, a equipe, composta por cinco peritos, ainda não havia encontrado no projeto a especificação dos parafusos. A perícia também apontou diferenças entre a proposta e a execução. Entre as mais marcantes, estão a falta de uma grelha para escoamento de água e de pequenos pilares ligando a lage ao corpo do prédio.
Felipetto destacou, contudo, que as falhas não podem ainda ser apontadas como causas para o acidente. ''Pode ter sido só isso, mas também pode ter sido uma série de outros fatores. Só com a escavação das fundações será possível dizer se a falha é que provocou a queda da laje'', avisou.

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