Criminalística aponta falha em explosão
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quinta-feira, 16 de março de 2006
Silvana Leão<br>Reportagem Local 
Ibiporã O Instituto de Criminalística (IC) vistoriou ontem o loteamento em Ibiporã (14 km a leste de Londrina) onde houve uma detonação de explosivos para a construção de uma rede de esgoto na tarde da última terça-feira e emitiu laudo afirmando que houve falha na execução da detonação. As pedras algumas pesando cerca de 20 quilos atingiram várias residências e um veículo no Conjunto Semprebom, a aproximadamente 250 metros do loteamento.
Segundo o perito Luciano Bucharles, houve um erro de dimensionamento. ''Sempre que se vai fazer uma operação como esta, é preciso ser traçado um plano de fogo, onde se calcula quanto de explosivo será necessário e a sua disposição. Neste caso, ficou muito claro que houve uma falha de projeto.'' Bucharles disse ainda que a explicação dada pela empresa Sidroneo Engenharia Ltda., de que a presença de um bolsão de água sob o solo teria potencializado o poder dos explosivos, faz sentido, mas não exime a culpa dos responsáveis. ''Não sei que tipo de explosivo foi utilizado, mas a possibilidade da presença de água teria que ter sido prevista. Este tipo de operação exige uma avaliação detalhada da situação'', ponderou.
O laudo da Criminalística será anexado ao inquérito aberto pela Polícia Civil para investigar o caso. Embora nenhum morador tenha sido atingido, o artigo 251 do Código Penal prevê o chamado crime de explosão, caracterizado quando se coloca em risco a integridade física ou o patrimônio das pessoas com o uso de explosivo. A pena prevista é de três a seis anos de reclusão.
A empresa de engenharia ainda corre o risco de perder a licença de operar com produtos controlados se ficar comprovado que normas de segurança não foram obedecidas. Dois oficiais do 30º Batalhão de Infantaria Motorizada de Apucarana, que controla e fiscaliza o uso deste tipo de material no Norte do Estado, estiveram no loteamento ontem para verificar as condições do local, checar a documentação referente à operação e informar-se sobre os procedimentos tomados.
Segundo o delegado de Ibiporã, Marcos Belinati, o tenente e o sargento do Exército informaram que a empresa tinha autorização para promover uma detonação no município em novembro do ano passado, mas não se lembravam se nova autorização havia sido solicitada. ''Eles ficaram de verificar a validade da documentação apresentada, porque este tipo de autorização só vale por um mês.'' O delegado esclareceu que se qualquer irregularidade for constatada será aberto um processo administrativo, que pode resultar na cassação do alvará de uso de explosivos por parte da empresa de engenharia.
''Os oficiais afirmaram também que quando ocorre uma explosão em região habitada, é preciso avisar os moradores com antecedência e, dependendo do caso, a área tem que ser isolada. Isto não foi feito, num sinal de negligência que pode agravar a situação da empresa'', disse Belinati.
A explosão aconteceu no final da tarde e causou um grande susto nos moradores no conjunto, que não sabiam que a explosão iria acontecer. Entre as casas atingidas está a do operário Baltazar Alves da Silva. Várias pedras caíram em um dos quartos do imóvel, destruindo o forro do cômodo e a porta de um guarda-roupa. Silva disse que ficou tão assustado que por alguns minutos ficou andando de um lado para o outro com a neta no colo. Outras casas tiveram telhas e paredes quebradas.
O técnico em detonação Orígenes Sidrôneo da Silva, responsável pela empresa que promoveu a explosão, informou que toda a documentação estava em dia e que o isolamento da área, assim como o comunicado da operação aos moradores, não foi feito porque o bairro foi considerado uma área fora de risco. Segundo Silva, a detonação tomou uma proporção não esperada, e que não era possível prever a presença do bolsão de água. Ele explicou que não fosse a água acumulada pelas chuvas recentes, a explosão teria acontecido dentro do planejado.
Até o final da tarde de ontem a Folha não conseguiu ouvir os dois oficiais do Exército responsáveis pelo caso.


